ABC/Eric McCandless
ABC/Eric McCandless

'Os Muppets' voltam em versão mais adulta, repaginados para o século 21

Kermit, Miss Piggy, Fozzie, Gonzo e o resto da turma estão de volta em The Muppets, que estreia no Brasil nesta terça-feira, 20, às 21h30, no canal Sony

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2015 | 11h09

LOS ANGELES - Quase 20 anos depois de seu último programa de televisão, Kermit – que abandonou definitivamente seu nome abrasileirado Caco –, Miss Piggy, Fozzie, Gonzo e o resto da turma estão de volta em The Muppets, que estreia no Brasil nesta terça-feira, 20, às 21h30, no canal Sony. Os personagens criados por Jim Henson e feitos de feltro, que retornaram ao cinema em 2011, não envelheceram um segundo na aparência. Não se pode dizer o mesmo do formato do The Muppet Show (1976-1981), que mostrava Kermit e companhia tentando montar um espetáculo de variedades.

O novo programa, criado por Bill Prady e produzido por ele em parceria com Bob Kushell, foi repaginado para o século 21. Os bastidores do talk show Up Late with Miss Piggy são mostrados ao estilo de séries como The Office e Parks and Recreation, que fingem ser documentais, com depoimento dos envolvidos e tudo. “Nosso objetivo é que todo o mundo que nunca viu ‘The Muppets’ no passado conheça esse novo mundo e ache que é original e cheio de frescor”, disse Kushell em entrevista à imprensa, em Los Angeles. “E quem cresceu assistindo tenha um sentimento nostálgico, ao mesmo tempo em que fica surpreso com a maneira nova como estamos fazendo”, completou.

A ideia surgiu oito anos atrás, mas Prady não conseguiu convencer o canal ABC, que pertence à Disney – os Muppets são propriedade da companhia desde 2004. A segunda tentativa, no início de 2015, foi tão bem-sucedida que os produtores nem puderam fazer um piloto, só uma apresentação de dez minutos. “Tínhamos uma visão muito clara do que queríamos. Quando conseguimos a aprovação, estávamos prontos”, contou Kushell.

Alguns elementos das antigas atrações estreladas pelos Muppets foram mantidas, como a presença de convidados famosos humanos – os primeiros episódios têm participação de atores como Elizabeth Banks, Ed Helms, Christina Applegate, Liam Hemsworth e Reese Witherspoon, de cantores (Josh Groban) e bandas (Imagine Dragons). Mas a vida pessoal dos personagens está tão no foco quanto seu trabalho, o que torna o programa menos ingênuo e mais adulto, com os Muppets enfrentando problemas amorosos (Fozzie tenta namorar uma humana, e Gonzo finge ser Liam Hemsworth num site de relacionamento) e ficando de ressaca depois de uma noitada num bar de karaokê.

Eles também aparecem mais no mundo real, em cenas fora dos estúdios. Como todo morador de Los Angeles, Kermit fica preso no tráfego na via expressa 405, e o urso Fozzie tenta voltar às suas origens acampando na região montanhosa de Big Bear. Essa abordagem representa um desafio e tanto para a equipe em termos de logística, já que, ao contrário de séries com personagens humanos, não dá para simplesmente seguir com a câmera os bonecos manipulados por atores. “É um truque de mágica”, afirmou Prady, que iniciou sua carreira trabalhando com Jim Henson e os Muppets.

Especialmente porque o show não abusa dos efeitos especiais. “Não é tudo construído num computador, e acho que este é o apelo”, disse Kushell. “Numa era em que tudo é digital, feito em estúdios com telas verdes, Kermit e Miss Piggy são reais. Dá para tocar neles.” A curiosidade do público foi imensa: o primeiro episódio foi visto por 9 milhões de pessoas ao vivo e no dia da estreia, com uma audiência de 2,9 entre pessoas de 18 a 49 anos, a mais cobiçada pelos anunciantes. O segundo teve uma queda considerável, com 5,8 milhões de espectadores, com audiência de 2,0 entre 18 e 49 anos. Mas os números foram bons, se considerados os resultados após 3 dias – muita gente grava para assistir depois ou vê nos serviços de “on demand” –, que mostraram crescimento na faixa demográfica desejada. Tudo indica que os Muppets vieram para ficar. 

Mais conteúdo sobre:
The Muppets Televisão

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.