'Os Homens São de Marte e É Pra Lá Que Eu Vou' vira série de 13 episódios

Adaptação para TV tem poucos elementos do filme homônimo

João Fernando, O Estado de S. Paulo

07 Setembro 2014 | 03h00

 

RIO - “Viram o morcego passando?”, pergunta Mônica Martelli aos presentes no camarim improvisado no prédio desativado de uma universidade no coração da Floresta da Tijuca, no Rio, que tem servido de locação para produções de cinema e TV. É lá que ela e equipe rodam os 13 episódios da versão série de Os Homens São de Marte e É pra Lá Que Eu Vou, com estreia prevista para 25 de setembro, às 22h30, no GNT. A obra é derivada da peça homônima, que ela apresentou durante nove anos e transformou no filme de mesmo nome, lançado este ano e visto por quase 2 milhões de pessoas. 

A trama televisiva tem poucas semelhanças com o longa. Nela, Fernanda (Martelli) vive os dramas amorosos enquanto trabalha com festas de casamento em sua produtora, ao lado dos amigos Aníbal e Natalie, vividos por Luis Salém e Julia Rabello. No cinema, a dupla foi interpretada por Paulo Gustavo e Daniele Valente. Na série, porém, eles têm histórias diferentes.

“O Aníbal da série é mais doce e, em algum momento, tem fragilidades. A Natalie tem um filho de 16 anos e não quer saber de se relacionar, não está nem aí para o romantismo”, diz a protagonista e autora. “Pediram para eu fazer o contrário do filme”, conta Luis Salém, que não quis assistir ao longa para criar suas próprias referências. “Só vi o trailer. Achei bacana o que ele (Paulo Gustavo) fez.” Os atores da telona não fazem parte do elenco atual por estarem envolvidos em outras produções e por questões contratuais.

Na história, Fernanda acaba de se divorciar de Tom (Herson Capri). Além da turbulência afetiva, ela enfrenta uma crise na produtora. Para sanar a questão contábil, Aníbal recorre ao consultor Cláudio (Carmo Dalla Vecchia), que acaba se envolvendo com a protagonista. “Esse personagem representa o homem ideal, se é que ele existe. Minha principal preocupação é representar esse ideal romântico da vida da Fernanda e de muitas mulheres que se identificam com essa história e, ao mesmo tempo, torná-lo crível. Ele simboliza o aspecto do homem que toda mulher quer, o paciente, que escuta, ajuda”, disse o ator ao Estado. 

As dores de cabeça da vida a dois ficarão por conta de Aníbal, que, na série, é casado com Edgar, encarnado por Gustavo Machado. “O casamento está morno. Há a possibilidade de discutir a relação com dois homens. E é o que todo casal passa, seja gay ou não”, analisa Luis Salém.

Mesmo usando elementos presentes no filme, em que Fernanda, uma quarentona que sofre por estar encalhada e só arranja um par no final, Mônica Martelli afirma que as histórias são independentes. “A pessoa que vir a série não precisa ter visto o filme nem a peça. Mas a Fernanda continua com a urgência de ser mãe”, compara. 

O monólogo que deu origem a tudo era baseado na experiência de vida da autora. “A partir do momento em que estreei a peça, ela não me pertencia mais, já virou ficção. Ela é inspirada em coisas minhas, meu romantismo, otimismo e a capacidade de amar novamente. Mas não estou passando pelas mesmas fases que ela, já estou em outra”, esquiva-se a atriz. 

Ela acredita ser importante mostrar os diferentes momentos da vida amorosa. “A ‘solteirice’ dá a você uma dignidade, deixa você uma mulher forte, pois você passa por algumas situações. A vida de casada dá uma proteção, uma cumplicidade, mas o desgaste é ruim.”

Após quase uma década em cartaz com Os Homens São de Marte..., Mônica marcou para maio de 2015 a continuação nos palcos, chamada por enquanto de Minha Vida em Marte, que retrata a vida de casada de Fernanda. “Todo o trauma da ‘solteirice’, extravasei nesses anos. Do casamento ainda não, amor. Agora, estou louca para disso. Fiquei casada dez anos e isso atrapalhou muito a minha vida”, confessa a atriz, que diz fazer terapia há 12 anos. “Não sou capaz de ficar sem.” 

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