Os fãs do tomara-que-caia

Existe um pessoal que, quando vê os índices de audiência das novelas, parece gordo fazendo regime: comemora cada número que cai. Não incluo no time dos urubus de plantão os que odeiam novelas. Por esses, o Projac se transformaria numa fazenda de produtos orgânicos e os mutantes da Record iriam todos ganhar a vida como estátua viva na Avenida Paulista. Eu me impressiono mesmo é com o espírito de porco dos que gostam de novela, mas festejam a queda de público como uma questão pessoal. Uns não gostam de determinados autores, outros não podem ver certas atrizes e tem ainda a turma que dá à baixa audiência o peso da revolução em marcha.Dizem que um dos motivos para a queda é que o telespectador migrou para a TV paga. Pode ser, mas convenhamos: trocar a telenovela pelos seriados americanos nem sempre é sinal de inteligência. Há seriados ótimos e há outros que não valem o que o gato enterra - como demonstra a querida Etienne Jacintho, páginas adiante. Pessoalmente, acho reality uma chatice, em qualquer idioma. Prefiro as divertidas agruras de Giovanna Antonelli em Três Irmãs a um concurso pra descobrir quem agüenta mais as broncas de um chef de cozinha histérico.A bola da vez da maledicência é Negócio da China. Os índices estão espantosamente baixos para o horário e, em especial, para a Rede Globo. As razões para isso têm tirado o sono de muita gente, a começar por Miguel Falabella, autor da trama. E a novela até que começou bem, apesar do pedregulho que foi o dramalhão do filho gerado por inseminação artificial. Tratar de mentirosa uma mulher que recorre a esse método é, no mínimo, equivocado. Fora isso, o trio de protagonistas - Grazi Massafera, Fábio Assunção e Ricardo Pereira - é bonito, charmoso e funciona. Antigamente, bastaria. Hoje, não mais.No epicentro do terremoto está uma emissora mais que habituada - viciada mesmo - em controle absoluto dos horários. Como uma antiga companhia aérea brasileira, que durante décadas monopolizou os vôos por aqui, a Globo perde o rebolado quando a concorrência cresce e aparece. As coisas mudaram, sim, mas não radicalmente. Menor audiência não significa a queda do império: a prova é que a emissora continua em primeiro lugar no balanço geral.e-mail: mvianinha@hotmail.com

Mário Vianna, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2008 | 21h54

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