Os Doces Bárbaros do palco à delegacia

Documentário de Jom Tob Azulay flagra Gil, Gal, Caetano e Bethânia no auge do desbunde

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2009 | 00h05

"Com amor no coração", em 1976, os baianos Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa prepararam "a invasão" sob o nome Doces Bárbaros para uma turnê de celebração de seus dez anos como profissionais da música. Com figurinos coloridos e brilhantes, no auge do desbunde, e novas canções que se tornariam clássicas - Esotérico, Um Índio, O Seu Amor, São João Xangô Menino -, eles rodaram o País. O diretor Jom Tob Azulay acompanhou o quarteto e registrou não apenas o show, mas ensaios, entrevistas, preparativos e depoimentos. Algumas cenas se tornaram antológicas, como a sisuda entrevista de Bethânia para a televisão no camarim e o célebre acidente de percurso em Florianópolis, onde Gil foi preso por porte de maconha. Exibido nos cinemas em 1978, o filme sofreu cortes da censura. Em 2004 foi relançado na versão integral, que saiu recentemente em DVD pela Biscoito Fino. A imprensa na época foi incisiva com os tropicalistas. Na entrevista coletiva antes da estreia em São Paulo, registrada no filme, um repórter pergunta "por que um nome tão açucarado na atual conjuntura nacional", referindo-se à ditadura. Outro embute na pergunta uma crítica ao fato de o encontro ser "mais um produto comercial". Enfim, hoje o filme tem valor documental e não perdeu o caráter divertido (especialmente nas cenas de Gil na delegacia, que arrancava altas gargalhadas do público no cinema). Nos extras há dois depoimentos de Azulay, num dos quais, em 1978, diz que o projeto inicial era de um breve documentário para a televisão. "Com os acontecimentos, acabou ganhando dimensões de filme de ficção, porque o show, em vez de transcorrer de forma rotineira, acabou ganhando aspectos dramáticos", lembra. A partir do incidente em Florianópolis, com Gil, o filme se transformou, passando de musical a policial.

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