Omar Epps fala sobre seu trabalho na série 'Resurrection'

Ator diz que não haverá explicação para volta de mortos-vivos

João Fernando, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2014 | 03h00

LOS ANGELES - Mais intrigante do que resolver o ‘quem matou?’ de uma trama é descobrir por que os mortos resolveram voltar à vida em massa, como acontece na série Resurrection, cuja segunda temporada é exibida todas as quintas, às 22 horas, no AXN. Além do público, o mistério causa inquietação até no elenco, que já se cansou de dar palpites. “Definitivamente, eles não são alienígenas”, brinca o norte-americano Omar Epps, que interpreta o protagonista J. Martin Bellamy.

O ator encarna o agente federal que, na fase anterior, descobriu que havia gente ressuscitando na remota cidade de Arcadia, interior dos Estados Unidos. Ao se dar conta de que o governo queria tomar conta da situação, ele ficou do lado dos mortos que retornaram. “Na primeira temporada, ele era os olhos do público, uma testemunha. Na segunda, é completamente diferente. Ele começa a reagir e a situação está completamente fora de controle.”

Nos primeiros episódios da atual leva, acontecimentos deixam no ar a dúvida de que Bellamy pode ser um dos mortos-vivos. Epps, porém, garante que as respostas para as perguntas da série estão longe de surgir e que os autores não fazem questão de resolver o enigma. “Eles estão tentados a nunca dar essa resposta, pois eles não podem deixar todo mundo feliz. Sempre haverá um grupo de pessoas que ficará chateada”, disse a um grupo de jornalistas estrangeiros em um evento para anunciar novas temporadas e lançamentos da TV norte-americana, em Los Angeles. O ator afirma ainda que prefere permanecer com o mistério. “É empolgante. É o que deixa nós do elenco com um frescor.”

Apesar das semelhanças com a produção francesa Les Revenants - exibida aqui pelo HBO Max, que também mostra o que acontece em uma pequena cidade onde os mortos retornam -, Resurrection foi inspirada no livro Ressurreição, do norte-americano Jason Mott. “Mas só tiramos o conceito do livro. A série é uma outra coisa”, compara.

Por causa do tema, Omar Epps, que integrou o elenco da série médica House (2004-2012), conta que tem visto reações diferentes ao ser abordado pelos telespectadores nas ruas. “Eles vêm mais emocionados, pois é uma questão muito pessoal. Dizem que alguns momentos do personagem lembram conversas que tiveram com parentes antes de eles morrerem”, explica. 

Fazer parte dessa história mudou a visão que o ator tinha da própria vida. “É um pensamento contínuo e diário. O trabalho me fez ver como a vida é preciosa. Eu já apreciava a vida antes, porém, a série me fez tentar tirar algo de bom de cada momento. Nós temos um ritmo, acordamos todos os dias como se fosse mais um dia. Uma das piores coisas é acordar na segunda pensando na sextas. Esse sentimento não está mais em mim. Agora, todo dia é sexta-feira, aprecio as pequenas coisas.”

Se tivesse a oportunidade de trazer de volta pessoas que já morreram, Epps tem sua lista. “Do lado pessoal, seria a minha bisavó. Ela morreu quando eu tinha 16. Seria legal mostrar a ela o que fiz da vida e meus filhos”, avalia. Com o riso solto, cita outros nomes. “Do lado público, começaria com o Bob Marley. Talvez o Frank Sinatra. Seria uma noite daquelas.”

* O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DOS CANAIS SONY/AXN

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