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Elenco. A série original da Netflix estreia com um orçamento de US$ 125 milhões NETFLIX

Olivia Colman e novo elenco estreiam 3ª temporada de ‘The Crown’, sombria e cheia de conspirações

Produção milionária com Tobias Menzies e Helena Bonham-Carter segue com apuro histórico, figurinos luxuosos e a missão de revelar os bastidores da nobreza

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2019 | 19h45

Quando estreou a primeira temporada de The Crown, foi aberto um caminho de como se produzir uma série histórica e luxuosa. A explicação pode ser dada em números: foram cerca de US$ 130 milhões investidos, que coloram a produção original da Netflix como a mais cara da história. Não deu outra. O sucesso impulsionou a continuação da trama que narra os bastidores da família real britânica e multiplicou ainda mais os prêmios para a “ficção histórica”, criada por Peter Morgan. 

Com a missão de traçar, em cada temporada, os desdobramentos do reinado da rainha Elizabeth II e os bastidores da Coroa, The Crown estreia neste domingo, 17, sua nova temporada. Repleto de rostos novos – e nomes premiados –, o elenco da série deu entrevista à imprensa – e, no Brasil, com exclusividade ao Estado.

Seguindo a regra de dez episódios, a temporada surge em um período sombrio para a família Real e o governo, entre os anos 1964 e 1977. Nessa época, uma crise econômica assola a região, saem os grandes estadistas e assumem novas figuras políticas. 

Entre os membros da realeza, as coisas não estão nada calmas. Intrigas que agitaram as temporadas anteriores vão movimentar o centro da família, agora protagonizado por Tobias Menzies, no papel do Príncipe Philip, e Olivia Colman, que trocou a coroa de A Favorita pela da rainha Elizabeth II.

A flexibilidade de governar será testada pela princesa Margaret, vivida por Helena Bonham-Carter, que conta como obteve ajuda especial – diretamente do além – para viver a irmã mais nova da rainha. As crianças também cresceram, e o ator Josh O’ Connor interpreta o príncipe Charles no período em que conhece seu “amor verdadeiro” – e não estamos falando de Lady Di. Sua irmã, a princesa Anne, é interpretada por Erin Doherty.

Em meio ao impasse atual do Brexit, a série revê o próprio legado das escolhas políticas, pelo ponto de vista do primeiro-ministro Harold Wilson (Jason Watkins), o grande responsável por realizar a adesão do Reino Unido à Comunidade Europeia. Outros tempos.

A seriedade nunca foi um problema para a rainha Elizabeth II. Nem para Olivia Colman. Após trocar a coroa de A Favorita, filme que lhe rendeu Oscar de melhor atriz, a atriz de 54 anos assume o papel da monarca na terceira temporada de The Crown, produção original da Netflix.

Ao substituir a atriz Claire Foy, Olivia surge no primeiro episódio em uma interessante composição. Preste atenção: a voz da atriz parece ter se afinado em relação à voz de Claire. “A rainha é apaixonante e, para mim, uma grande mulher”, afirma Olivia, em entrevista ao Estado

É inegável que passou o tempo da insegurança para os monarcas. A experiência obtida nas temporadas anteriores lhes forneceu mais habilidade para jogar o jogo da realeza. “Eles chegaram a um status de maturidade, em que é possível reconhecer os modos de funcionamento do poder. Mesmo assim, é impossível prever tudo”, avalia o ator Tobias Menzies, que vive o príncipe Phillip. 

E os acontecimentos não pedem licença. Nesta temporada, desdobramentos da segunda já são lançados logo no primeiro episódio – lembra-se do Caso Profumo? – e também introduz um boato que rondou o Palácio nos idos da Guerra Fria sobre haver um espião da União Soviética entre os moradores.  

Internamente, a relação de Elizabeth II e Philip segue como articulador desse turbilhão. “É onde se equilibram as diferentes forças”, diz Menzies, que entrega um estilo soturno semelhante ao que fez com Edmure Tully, de Game of Thrones, com a diferença que não precisa apunhalar ninguém com uma espada para conseguir o que quer. “Eles estão ficando mais velhos, os filhos estão crescendo e existe um conhecimento de como as coisas têm que funcionar.”

Para Josh O’Connor, que interpreta o príncipe Charles, ao lado da irmã, Anne, feita por Erin Doherty, os novos herdeiros da Coroa dão acesso às próximas histórias que perduram até hoje. “Charles está muito feliz nesse fase. Entrou na faculdade, conheceu pessoas novas, gente que não é da realeza e sente que pode demonstrar o que sente.” 

A terceira temporada vai mostrar como ele conhece Camila Parker, seu grande amor. Após o divórcio com a princesa Diana, Charles se casará com o antigo afeto. 

O público chegou a aguardar a grande estreia de Di nesta temporada, mas sua participação está prevista para a quarta. Emma Corin foi escalada para o papel. Na internet, já circulam imagens de bastidores com a personagem em um vestido rosa, inspirado em uma peça usada por Lady Di durante uma viagem a Austrália, em 1983. Nessa época, ela tinha 22 anos e o príncipe William, nove meses de vida.

Outra história que promete sacudir a trama é o caso de sequestro da princesa Anne, irmã de Charles, conta a Erin. “Mergulhei em uma pesquisa sobre ela e logo me deparei com a história do sequestro.” Em 1974, quando voltava para o Palácio de Buckingham, um jovem obrigou o carro em que ela estava a parar.

No impasse, o guarda-costas de Anne foi baleado. Um pedestre que passava pelo local conseguiu imobilizar o rapaz e ele foi preso. “Com personagens reais, as histórias vão sendo contadas o tempo todo, foram muitas descobertas”, conta ela. 

A produção de The Crown provou que uma trama bem feita nasce de muita pesquisa. Para Menzies, foi o que tornou “o trabalho mais fácil”. “Antes que a gente entrasse em cena, havia um caminho para fazer as personagens. Os figurinos e a maquiagem iam se juntando, o que nos ajudou muito. Também por se tratar de uma transição de elenco.”

Mesmo assim, há coisas que não mudam, que continuam, porque foram fundamentadas há muito tempo. Quando se fala de poder, o tempo é como um jurado impiedoso, como um teste. Para Olivia, a série se tornou grandiosa porque suas personagens carregam um porte magnífico, a princípio, como imagens para serem vistas. “A rainha está em todo lugar, nas moedas, na vida mais comum das pessoas, mas não é só isso. The Crown confirma o caráter de uma grande mulher.”

Talvez por isso, e pela primeira vez, a temporada cotada em US$ 125 milhões foi enviada para os assessores da rainha, antes da estreia. Como Elizabeth II fez no caso do curador espião, é sempre bom estar pronto para qualquer esqueleto que possa reaparecer. Por mais bem vestido que esteja.

O que é fato real na terceira temporada de 'The Crown'

Caso Profumo: Escândalo sexual entre um secretário de Estado e uma modelo, em 1961, provocou a renúncia do primeiro-ministro Harold Macmillan, que alegou problemas de saúde. 

Espião mestre em artes: Em 1964, uma investigação apontou indícios de que o curador da coleção de arte real, Anthony Blunt, era um espião soviético.

Desastre de Aberfan: Uma barragem de rejeitos colapsou em 1966 e atingiu a vila galesa de Aberfan, matando 116 crianças e 28 adultos. Parte da aldeia ficou coberta em poucos minutos. 

Morte de Eduardo VIII: Centro de uma crise institucional, o duque foi impedido de casar com uma americana, o que terminou com sua abdicação. 

 

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'O espírito da princesa disse que me aprova', diz Helena Bonham-Carter, que estreia em 'The Crown'

Atriz vive Margaret na terceira temporada da série e explica como buscou uma médium para se comunicar e pedir dicas à princesa morta

Entrevista com

Helena Bonham-Carter

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2019 | 19h46

Helena Bonham-Carter sempre surpreende. Na estreia da terceira temporada de The Crown, a musa de Tim Burton falou ao Estado e contou detalhes sobre a preparação para interpretar a princesa Margaret, irmã da rainha Elizabeth II.

Por se tratar de uma personagem histórica, Helena diz que foi atras de uma médium para descobrir detalhes sobre vida da princesa morta e pedir algumas dicas. A atriz chega a revelar que o fantasma de Margaret sabia de outra atriz foi sondada para seu papel, mas que Helena foi sempre sua primeira escolha.

Você procurou uma médium para conversar com o fantasma da princesa Margaret. Como foi essa experiência? 

Ela foi muito útil para minha interpretação. Disse com detalhes como eu deveria fumar, uma de suas marcas. O fantasma da princesa também disse que preferiu a mim em relação à outra atriz que foi sondada para esta temporada.

Então você já foi aprovada!

Bom, acho que isso eu só vou descobrir mesmo quando morrer (risos).

Nesta temporada, parece que a princesa Margaret está ainda mais insatisfeita. 

Ela imaginou que seu casamento com Armstrong Jones seria fantástico. Mas acabou virando outra coisa. 

Sua posição na realeza também não será assunto encerrado. Onde ela quer chegar? 

Seus embates com a irmã se misturam com as brigas pelo que significa a Coroa. Não é difícil personalizar um dever como esse.

O que você achou da infinidade de figurinos tão luxuosos?

No começo, fiquei pensando ‘por que tenho que trocar de roupas tantas vezes’. A silhueta da mulher vitoriana não é tão simples.

 

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Na terceira temporada de 'The Crown', o legado da realeza se transforma entre os jovens

Os atores Jason Watkins e Josh O’ Connor explicam como a família real segue como um símbolo que atravessa o tempo

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2019 | 19h46

No início da terceira temporada de The Crown, a opinião da rainha sobre o novo primeiro ministro, Harold Wilson, lembra o perfil de muitos políticos atuais. “Nem jovem, nem velho, nem alto, nem baixo, nem quente, nem frio.” 

Talvez lhe faltava laços mais nobres, ou sobrava muito de sua natureza plebeia, segundo a rainha. Para o ator Jason Watkins, que interpreta o primeiro-ministro, Wilson surge em um momento delicado para o Reino Unido, mas não perde a oportunidade de olhar para o futuro. “Ele entra quando a política sofre diversas baixas por renúncias provocadas por escândalos”, diz o ator.

O Caso Profumo é um deles, tendo ao centro um escândalo sexual entre a modelo Christine Keeler e o John, o secretário de Estado, no meio de um governo conservador. Esse barulho vai tirar o sono do príncipe Phillip ainda nesta terceira temporada.

O marido de Elizabeth II era atendido pelo osteopata e amigo Stephen Ward, responsável por apresentar Profumo a Keeler. “É algo que enfraqueceu os conservadores e ajudou a alavancar políticos de orientação trabalhista”, diz o ator de 53 anos.

O pouco tato de Wilson – ele precisa de ajuda, por exemplo, para saber como cumprimentar a rainha – faz parte de seu perfil modernizador, aponta o ator. “Ele esteve entre os principais articuladores para que o Reino Unido aderisse à Comunidade Europeia. Agora, ironicamente, estamos nesse impasse que se chama Brexit.”

Se é diferente e alucinante para quem acompanhou algumas décadas de seu país, para os mais jovens a história do Reino Unido habita um lugar diferente. Aos 29 anos, o ator Josh O’Connor estreia no papel do jovem príncipe Charles. “Em geral, as pessoas da minha idade vão tendo contato desde a escola com essas histórias. Você se sente parte de uma tradição, há uma nostalgia e memórias felizes. Por outro lado, trata-se de algo que está em transformação, nem tudo continua como sempre foi.”

Para Watkins, a série cumpre um papel de conexão entre a experiência de quem foi testemunha da história e o vigor de quem chegou por agora e pode apostar no que o futuro tem guardado. “Ao tornar figuras públicas mais humanizadas, The Crown dá oportunidade do público conhecer sentimentos, tantas vezes, ambíguos.”

 

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