Divulgação
Divulgação

'7 Dias no Inferno' traz olhar irreverente sobre a carreira de dois tenistas rivais

Série traz um desfile de celebridades que tentam dar veracidade à brincadeira

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

12 Julho 2015 | 17h00

Qualquer tenista profissional ou amador sabe que a partida mais longa da história do tênis aconteceu em junho de 2010, em Wimbledon. Depois de 980 pontos, 216 aces e 11h05m de jogo, o norte-americano John Isner acertou uma passada na paralela, quebrou o saque do francês Nicolas Mahut e fechou o 183º e último game da partida. Na reta final, os atletas estavam exaustos e tinham dificuldade até para devolver os saques. Os desavisados podem achar que essa história épica embala o “documentário” 7 Dias no Inferno, que o canal HBO exibe na segunda, dia 13, às 19h15. Nada a ver.

O enredo e o cenário são os mesmos - a mais longa partida de tênis de todos os tempos e o imponente torneio de Wimbledon -, mas o longa assinado pelo diretor Jake Szymanski é, na verdade, um “mockumentário”. Para quem não conhece, trata-se de um gênero cinematográfico que já rendeu grandes bilheterias. A ideia é usar o formato consagrado dos documentários jornalísticos para contar uma história fictícia. O sabor da receita consiste em tornar verossímil situações absurdas. 

Paródia esportiva no estilo documentário, 7 Dias no Inferno atinge o objetivo ao fazer o público imaginar como seria uma cena de sexo em plena quadra com transmissão ao vivo para todo o planeta ou a rainha da Inglaterra mostrando o dedo do meio para um atleta no meio da partida. O fio condutor da história é a rivalidade entre dois jogadores que se enfrentam em um jogo com duração de sete dias e cinco sets. 

Aaron Williams (Andy Samberg) é um bad boy do esporte que enfrenta Charles Poole (Kit Harington), um jovem pouco brilhante, mas que carrega nos ombros a responsabilidade de conquistar um título para a Inglaterra. Para quem não ligou o nome à pessoa, Kit Harington fo o protagonista da série Game of Thrones no papel do combativo Jon Snow. No mockumentário, ele aparece sem barba e com cara de menino assustado. Seu parceiro, Andy Samberg, tem no currículo sucessos como o programa Saturday Night Live e a série Brookyn Nine-Nine. Em setembro, ele será o apresentador da 67ª edição do Emmy. 

O elenco reúne outros nomes famosos da TV, como Lena Dunham (Girls, da HBO), Michael Sheen (Masters of Sex, da HBO), Mary Steenburgen (Togetherness, da HBO), Karen Gillan, Will Forte, Howie Mandel e Fred Armisen. O filme conta ainda com a participação de duas estrelas do tênis mundial de verdade: John McEnroe e Serena Williams. As celebridades ajudam a dar veracidade ao filme, mas o humor rasgado não deixa margem para dúvidas. 

A edição com “flagrantes” misturados a “depoimentos” lembra o maior clássico do gênero nas comédias: a série The Office. A linguagem também inspirou longas como Borat e Bruno. Mas o grande clássico do gênero “mockumentárismo” foi o longa Bruxa de Blair, que mostrou as filmagem de três estudantes que desapareceram em uma floresta enquanto investigavam a lenda urbana de uma bruxa. O filme custou menos de 100 mil dólares, mas rendeu 250 milhões graças a uma campanha viral na Internet que tentava nos fazer acreditar que as cenas mostradas no filme eram reais. 

7 Dias no Inferno custou bem mais do que isso e não tem a pretensão de enganar ninguém. Mas vale a pena entrar na brincadeira e se deixar engabelar. 

Mais conteúdo sobre:
TVtelevisão7 Dias no Inferno

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.