'O que vai ficar deste momento é a certeza de que a gente não controla nada', diz Paulo Vieira

'O que vai ficar deste momento é a certeza de que a gente não controla nada', diz Paulo Vieira

Humorista fala da série 'Como Lidar?', no 'Fantástico', que ele gravou de casa e chega ao último episódio neste domingo, 28, e sobre as lições que serão deixadas pelo isolamento

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2020 | 17h35

A pandemia tirou atores e humoristas de cena e os colocou no confinamento. Longe dos sets, no entanto, muitos deles têm usado as próprias casas como cenário para continuar atuando. De seu lar, no Rio, o humorista Paulo Vieira protagoniza a série Como Lidar?, que chega ao último episódio neste domingo, 28, no Fantástico, na Globo (é possível ver os episódios anteriores no Globoplay), e já se prepara para estrear Cada Um No Seu Quadrado, no dia 3 de julho, no Globoplay, apresentado por ele e Fernando Caruso – cada um de sua casa. 

Acostumado a trabalhos coletivos, como em Programa do Porchat, na Record TV, Zorra e Fora de Hora, na Globo, Vieira conta que sente falta dos colegas que “ajudam a fazer o projeto acontecer”. “Mas, em tempos de quarentena, estar trabalhando é um privilégio. O desafio de fazer só é diversificar a linguagem e rebuscar o texto para que fique dinâmico, levando em conta que estou sozinho na tela”, afirma ele, em entrevista ao Estadão. “E o desafio de gravar em casa também é esse: como ousar nos planos, como mudá-los para contar essa história no mesmo espaço de sempre.”

Para gravar Como Lidar?, o humorista contou apenas com o cinegrafista e um assistente in loco, seguindo todas as normas de segurança, e o restante da equipe trabalhou remotamente, pela internet, incluindo diretor e assistente de direção. “Os roteiristas Diego Tavares e Leonardo Lanna me apresentaram esse projeto, o Fantástico curtiu e adorei a ideia. Começamos a escrever juntos os episódios, sempre buscando chegar a uma linguagem interessante paras as limitações que temos na quarentena”, conta Paulo Vieira, que, nesse período, criou o Diário do Coronga, sucesso nas redes sociais. 

A série é uma crônica de humor, que retrata situações cotidianas nessa fase de isolamento. Ou “uma comédia de costumes dos tempos atuais”, como define o humorista. Vieira mostra o que está passando em sua casa no dia a dia, os perrengues, as neuroses, as angústias. Sempre pelo filtro do humor.

E como nascem as ideias para o roteiro? “A gente se encontra pela internet para uma reunião, como são os encontros hoje em dia. Fazemos um brainstorm de ideias até definir um tema. Depois, começamos a pensar o que é legal dentro desse tema, que tipo de piada e cena a gente pode levantar. Em geral, quem sugere o tema já traz a ideia da cena junto”, descreve. “Esta semana, por exemplo, no quarto e último episódio, teremos o Brasil na terapia. O Diego trouxe essa ideia pronta, para discutirmos o novo normal nesse episódio. Vamos levantando as cenas e trocando ideias. Um vai melhorando a ideia do outro até o roteiro sair.”

E, para ele, quais serão as lições que o isolamento trará? “Pergunta difícil. Não sei dizer ao certo, mas espero que traga alguma lição para o mundo sobre solidariedade, sobre pensar melhor a nossa relação com a natureza. Pessoalmente, fica uma atenção ao que é realmente importante e a sensação de que não temos controle de nada”, pondera. “É clichê falar isso, mas, no nosso ambiente controlado – casa, trabalho, cidade –, a gente chega a pensar que tem tudo sob controle. Até que, de repente, vem uma coisa que a gente nem enxerga e muda todos os nossos planos. O que vai ficar é essa certeza ainda mais forte de que a gente não sabe de nada, não controla nada. Por isso é tão fundamental a atenção no que realmente é importante. E se divertir. Cada vez mais eu tenho pensado e focado nisso.”

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