O pulso de Gleizer e os cabelinhos do Tchatcha

Todo mundo já foi criança, diz aquela música do Arnaldo Antunes, que cita um bando de gente, de Maomé a Bin Laden, mas nenhum ator da "categoria Mario Lago" - aqueles que a gente nunca viu criança. Elias Gleizer, por exemplo, que me acostumei a ver como avô em tantas novelas. Lá está ele de novo como avô em Caminho das Índias. Um avô que, notei logo no começo, não tem nem primeiro nome - é Seu Cadore e pronto. Mas que é muito mais do que a figura habitual que compõe a cena lendo jornal e dando pitacos esporádicos na conversa dos mais jovens.

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2009 | 22h49

Finalmente alguém escalou Gleizer para um avô de atitude, e não só de ombro fraterno. Cadore pegou a novela a pulso nestes últimos dias. Defende a Ondina (Luci Pereira) das acusações da Silvia (Débora Bloch), leva o Tarso (Bruno Gagliasso) ao médico e, ainda, tira onda com a cara da Melissa (Christiane Torloni). É um velhinho sacudido, versátil, divertido e trágico ao mesmo tempo. E tão crível que, às vezes, o Cadore se engasga com as palavras e eu fico sem saber se o Gleizer está interpretando ou engasgando mesmo! Cadore transita da clínica psiquiátrica à gafieira, e construiu dobradinhas que dão gosto de ver. Primeiro, com a "abusante" Ondina, a empregada da casa. E sobretudo com a fofíssima Eva Todor - adoro como ela pronuncia os "l", com a língua no céu da boca. Linda a cena em que Cadore, depois de ter levado o neto em surto para a clínica do Doutor Castanho, desabafa com a dona Cidinha: "É, a vida tem me maltratado..."

Do lado de lá, seguindo o esquema da novela, está o correspondente de Cadore na Índia, Karan. Karan? Quem? O adorável Tchatcha! Faz pouco tempo que descobri que "tchatcha" não é o nome do personagem de Flávio Migliaccio, mas o tratamento familiar para "tio mais novo por parte de pai". É outro que tem nome obscuro na trama, mas faz toda diferença em cena, com aqueles óculos equilibrados na ponta do nariz, a cara do Gandhi. Migliaccio, diferentemente de Gleizer, eu já vi mais novinho - em fotos, anote-se. Mas estava vendo Senhora do Destino (onde ele é o Jacques) e me dei conta: alguém já viu o Migliaccio penteado em cena?

Na semana passada, mirei o elogio num Abujamra, mas acertei no outro: o Iago de Poder Paralelo é, claro, Antonio Abujamra, o pai, e não André Abujamra, o filho.

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