'O programa é um espelho positivo de nós, brasileiros'

Coquete, ingênua e com uma capacidade infinita de amar e perdoar, dona Nenê é a personagem que menos mudou nesses nove anos em que A Grande Família está no ar, observa Marieta Severo. E é bom que seja assim porque, como sabemos, mãe não muda. "Procuro mantê-la dentro da mesma redoma, com aquele jeitinho. Ela precisa ser ingênua para acreditar sempre no Agostinho, por exemplo", diz a atriz, que conversou com o Estado nos bastidores de gravação do 300º episódio do programa:

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2009 | 00h13

 

Veja também:

linkA família que desafia o tempo

linkDo kitsch ao cult

 

Depois desse tempo todo, é mais fácil fazer a dona Nenê?

É, e vira quase uma segunda natureza. A gente não precisa de esforço nenhum para passar da realidade para essa ficção. Eu e o Nanini estamos conversando, batendo o maior papo, e quando de repente falam "gravando", a gente vira a Nenê e o Lineu.

Como você explica o sucesso inabalável do programa?

São muitos ingredientes: um texto excelente, atores que fazem bem seus papéis, direção de arte caprichada. Mas acho também que ele é um espelho positivo de nós, brasileiros, numa época em que a gente se vê retratado pelos nossos piores lados. Ali, é o lado virador, bem-humorado, construtivo e amoroso. Tudo ali é muito do bem, apesar das crises e as encrencas. É esse o encantamento do programa, ele é um oásis.

Você ouve muitos "minha mãe é igual à dona Nenê!"?

Muito. Mãe só muda o endereço, né? Tem coisas na dona Nenê que são representativas de todas nós. Por isso, é bom que ela seja meio arquetípica. Ela tem uma ingenuidade bem de mãe mesmo, e eu procuro manter isso. Aliás, nesses anos todos, acho que ela é a que menos mudou no programa. Os cachinhos estão sempre ali; ela é toda coquete, brejeira. Procuro mantê-la dentro dessa redoma. Ela tem de ser ingênua para acreditar sempre no Agostinho (risos). Qualquer pessoa menos amorosa e ingênua desconfiaria daquele genro. Ela não.

É como aquela sensação de conforto que a gente tem ao ir à casa da mãe e perceber que quase nada mudou.

Você precisa chegar lá e encontrar a sua infância. Aqueles objetos, o cozido que virá naquela travessa. A dona Nenê é assim. Ela carrega o passado da família e mantém o ninho onde todos eles se sentem bem.

Tudo o que sabemos sobre:
TVeLazerGloboA Grande Família

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.