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O prazer de passar um apuro na selva

Bear Grylls comanda atração em que aventureiros se arriscam de propósito

João Fernando, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2013 | 19h20

Sofrer por querer é o sentimento dos participantes Sobrevivendo com Bear Grylls, reality em que aventureiros se arriscam em situações extremas, com estreia marcada para terça, às 22h30, no Discovery. Na atração, amantes da natureza e esportes radicais passam por perrengues, como ingerir insetos e caminhar por quilômetros em lugares desertos com temperaturas negativas. E sem concorrer a nenhum prêmio.

Enquanto os outros ficam perto da morte, o biólogo inglês, que dá nome ao programa, refaz os percursos arriscados para mostrar o que os aventureiros deveriam ter feito para evitar acidentes e outras situações que os puseram em perigo. Com pinta de galã, Bear Grylls caminha por desfiladeiros, cruza florestas com animais pouco amigáveis e, sem cerimônia, tira a roupa diante das câmeras para tomar banho em uma poça de água para afirmar que suas técnicas são seguras.

Apesar do risco, os participantes não se arrependem. “Participar de expedições em lugares da Bolívia, Etiópia e Canadá fez crescer em mim uma força interior e uma convicção de que posso me superar muito e encarar mais dificuldades”, disse ao Estado o polonês Maciej Tarasin, em teleconferência com jornalistas da América Latina. Ao fazer rafting na forte correnteza do Rio Yari, na Colômbia, o explorador ficou sem sua canoa e se perdeu do outro aventureiro que o acompanhava.

Sem se abalar com a dificuldade, Tarasin relembra situações mais complicadas de outras viagens. “Na Etiópia, fui pego pela tribo Mursi. Eles foram agressivos e me roubaram. Eu estava prestes a começar uma briga, mas eles tinham pedras, pedaços de pau e machados nas mãos. Situações como essa te tornam uma pessoa mais dura”, sentencia.

Mesmo andando de lá para cá nas cenas mostradas no programa, o polonês garante que não estava perdido na mata colombiana. “Nunca estive perdido, em momento algum. Eu tinha o mapa na cabeça e meu GPS ainda funcionava quando perdi a canoa. Eu sabia com precisão qual direção tomar para sobreviver”, afirma.

Segundo ele, um dos momentos tensos foi passar a noite na floresta. “Foram quatro dias sem comida, dormindo debaixo de uma rocha, em que tentei construir um abrigo com madeira. Tentei me proteger das feras selvagens enquanto ouvia um jaguar se aproximar”, relembra ele, que só se arrepende por não ter resgatado o companheiro de expedição que ficou para trás. “Se eu pudesse, voltaria no tempo.”

Ao ver Bear Grylls dando as dicas do que cada um deveria fazer, Tarasin diz que não seguiria os conselhos do apresentador. “Com base nas minhas experiências, eu prefiro a minha estratégia. É preciso lembrar que não haveria chance de alguém me resgatar quando eu pulei no rio”, defende. Com passagens pelo Pantanal, o polonês quer voltar ao Brasil. “Já estou me preparando, pensando em expedições futuras.”

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