Ó, Paí, Ó: Baianidade dá ibope

Boa audiência garante uma 2.ª temporada da série na Globo, a partir da próxima sexta-feira

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2009 | 16h00

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BLACK OR WHITE – Lázaro Ramos canta Michel Jackson e bossa-axé

Quando a primeira temporada de Ó Paí, Ó estreou na Globo, em outubro do ano passado, uma questão preocupava a emissora: o público do Sul e Sudeste do País iria se identificar com a malemolência baiana da série? A dúvida, porém, dissipou-se logo no primeiro dia da atração, uma sexta-feira.

 

Na Grande São Paulo, o seriado marcou 24 pontos – bom índice, considerando que Amor & Sexo registre hoje média de 15 pontos. Nos outros episódios, o ibope se manteve na casa dos 20 pontos, sem contar o sucesso que a trama obteve no Nordeste. Em Salvador, os índices chegaram a 46 pontos, audiência digna de final de novela das 9.

 

Tamanha repercussão rendeu, além de uma indicação entre os finalistas ao Emmy Internacional, na categoria comédia, uma 2ª temporada do enredo gravado na Bahia e feito pelo Bando de Teatro Olodum, que estreia nesta sexta-feira, às 23h15.

 

Dessa vez, os quatro episódios, exibidos sempre às sextas, serão interligados.

 

Mocinho incorruptível, Roque, cantor de axé interpretado por Lázaro Ramos, agora comete deslizes.

 

Além de trair a namorada, Dandara (Aline Nepomuceno), com a empresária musical Patrícia (Luana Piovani), o protagonista politizado compra briga com os amigos. Tudo porque quer chamar um fiscal da prefeitura (vivido por Luis Miranda) para inspecionar o cortiço prestes a desabar. "Essa temporada é baseada na (peça) O Inimigo do Povo, do (dramaturgo norueguês) Ibsen. De alguém admirado, o Roque vira inimigo", explica Lázaro ao Estado, em entrevista por telefone.

 

Mas os vacilos do personagem não farão dele um anti-herói. "Na ânsia de fazer o certo, ele peca pelo excesso. Mas como é herói, volta a ser o bom e velho Roque. E vai até ter filho com a Dandara", revela.

 

Todos os personagens continuam de onde suas histórias pararam. Assim, a travesti Yolanda (Lyu Arisson) permanece casada com a lésbica Neuzão (Tânia Toko), e Queixão, o vilão abilolado de Matheus Nachtergaele, vira evangélico e passa a namorar – e a extorquir – Joana (Luciana Souza), a crente dona do cortiço.

 

O deboche, as gírias baianas e a contestação social vêm, é claro, embalados por muita música, com Lázaro no vocal. Agora, o repertório vai de Michael Jackson, com Black or White, a bossa-axé, estilo inventado pelo personagem. "Cada vez que o Roque ensaia seu axé pesado, o cortiço treme. Então, ele inventa a bossa-axé. É o axé no violão (risos)."

 

QUESTÃO COMERCIAL

Com a volta do Bando de Teatro Olodum em cena, além de Taís Araújo no posto de protagonista de novela das 9 e Camila Pitanga como mocinha das 6, os negros assumem papel de destaque na TV. Em plena era Obama, Lázaro desconfia do modismo e espera que o processo seja duradouro. "Eu não me considero moda não."

 

Para ele, no entanto, o fato tem raiz menos social e mais comercial. "Quando viram que Da Cor do Pecado, Cobras & Lagartos, Cidades dos Homens, Ó, Pai, Ó deram ibope, a TV percebeu que isso agradava o público. E TV quer mesmo é ter audiência."

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