O Oscar dos alemães

Um dos mais premiados filmes dos últimos anos, A Vida dos Outros conta como já foi a Alemanha

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2008 | 22h56

Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado, A Vida dos Outros (Europa Filmes) é, merecidamente, um dos filmes mais cultuados pelos críticos de todo o mundo. A história se passa numa Alemanha ainda dividida pelo muro de Berlim, onde os cidadãos do lado oriental pertenciam, fundamentalmente, a dois grupos: espiões e espionados. No primeiro estavam quase 100 mil agentes secretos recrutados pelo governo para seguir os passos de "suspeitos" do regime comunista. No segundo grupo, o dos espionados, está incluído o dramaturgo Georg Dreyman (o ator Sebastian Koch) e sua companheira, a atriz Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck), ambos suspeitos de conduta subversiva pelos burocratas da Alemanha Oriental.O casal vai ser investigado pelo agente Wiesler (Ulrich Mühe, que morreu de câncer pouco antes do lançamento do filme) quando o ministro da Cultura (Thomas Thieme), interessado na atriz, desconfia de sua fidelidade ideológica. Wiesler, um burocrata, tem lá seu lado emotivo e passa a proteger o casal quando percebe o perigo que a atriz corre nas mãos do governo. O diretor alemão Florian Henckel evita transformar A Vida dos Outros num libelo político, equilibrando drama e thriller nessa análise de uma sociedade paranóica e intimidada por um regime totalitário. Solitário, o agente toma tardiamente consciência de sua condição, quando movimentos já estão em curso para mudar a realidade e a história da Alemanha.

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