O lindo banho de néon de Coppola

No Fundo do Coração mostra como paixões podem ser falsas como o brilho de Las Vegas

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2009 | 00h15

O sucesso mundial conquistado por Apocalipse Now, em 1979, conferiu ao cineasta Francis Ford Coppola uma liberdade de criação sem limites. Disposto a não ficar preso aos grandes estúdios, ele fundou um próprio, Zoetrope, e passou a financiar os próprios filmes. A ideia era de um visionário pouco acostumado à administração de custos e, com isso, ele logo foi à bancarrota especialmente por conta de um longa, O Fundo do Coração, agora em DVD pela Lume. Rodado em 1982, o filme refletia seu entusiasmo com o néon, que criou uma espécie de iluminação que contaminou alguns longas (o francês Subway foi outro exemplo) e, felizmente, teve vida curta. Em O Fundo do Coração, no entanto, Coppola conseguiu uma rara beleza plástica ao contar a história do casal que decide se separar em Las Vegas. Ao buscarem novas paixões, eles percebem que estas são tão ilusórias quanto o falso brilho da cidade que os cerca. Coppola usa bem a luz, separando espaços e limitando territórios, como se fosse uma peça de teatro. A trilha de Tom Waits contribui para o tom onírico e, embora o público não tenha apoiado, continua clássica a cena de Nastassja Kinski no néon da taça de champanhe.

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