O lado Fassbinder de um Bergman exilado

Da Vida das Marionetes foi filmado depois que o fisco sueco prendeu o cineasta por sonegação

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2008 | 21h18

Feito na Alemanha, em 1980, durante o exílio de Bergman, após ser preso por sonegação de impostos, Da Vida das Marionetes (lançamento Versátil) era considerado por seu autor uma de suas melhores obras. Muitos críticos não concordam. Consideram o filme depressivo demais, atribuindo essa escuridão à experiência do cineasta, que esteve internado numa clínica após o incidente com o fisco sueco. Depressivo ele é, de fato, a ponto de Bergman não abrir mão do preto-e-branco (apenas duas seqüências usam cores)para acentuar o clima tenso em que vive o casal do filme, formado por um alto executivo (Peter Egerman) e sua esposa infiel. Traído, ele busca vingança no corpo de uma prostituta, após sonhar com o assassinato da mulher.Filmado em Munique com elenco alemão, o filme tem uma sintaxe fassbinderiana. Entre trágico e patético, Da Vida das Marionetes é o inventário de um casamento fadado ao fiasco, em que a atração pelo abismo é fatal. Um Bergman difícil, mas essencial.

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