O filme censurado no Brasil por dez anos

O polêmico Z,de Costa-Gravas, mostra como se formaram os bastidores da ditadura na Grécia

O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2008 | 21h24

Durante a ditadura militar, a censura impediu a exibição de filmes que julgava incitadores de baderna. Era o suficiente para absurdas justificativas, como a que retardou em dez anos a estréia aqui do filme Z, de Costa- Gavras - o longa fazia críticas à ditadura militar na Grécia, país de origem do cineasta, e, como o Brasil vivia sob um regime semelhante, a história era considerada subversiva. O filme agora chega em nova versão para DVD, lançada pela New Line Home Vídeo.Rodado em 1969, reconstitui o assassinato do deputado Gregoris Lambrakis (vivido por Yves Montand), com base no romance de Vassili Vassilikos, para denunciar a ditadura dos coronéis na Grécia. Durante um comício, ele é atacado por milícias fascistóides e morre. Eis o ponto de partida para Costa-Gavras escancarar os bastidores políticos, nos quais habitam corruptos com interesses variados, candidatos a tiranos e membros do Judiciário. Uma tentativa de demonstrar como o mecanismo da corrupção fascista pode se esconder atrás da máscara da lei e da ordem.O ritmo policial com toques documentais garante uma veracidade ao filme, que recebeu os Oscars de melhor filme estrangeiro e montagem. Quando foi finalmente liberado para ser exibido no Brasil, em 1980, Z provocou uma nova controvérsia, pois foi considerado próprio para maiores de 14 anos, o que causou protestos dos exibidores. Segundo eles, dessa maneira o filme perderia o impacto de produto forte, proibido, e se tornaria inviável comercialmente - para eles, os jovens não se interessam por política. Se perdeu um pouco o potencial político, o filme ainda continua com boa ação.

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