O feliz encontro de Omara e Bethânia

A dama da canção cubana é reverenciada pela baiana no show do CD que fizeram em dupla

LAURO LISBOA GARCIA, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2008 | 21h52

O melhor do CD Omara Portuondo e Maria Bethânia, lançado no início deste ano, é o "diálogo" entre algumas canções de temática similar de Cuba e Brasil, que as duas grandes cantoras representam muito bem. No show, que a Biscoito Fino lança agora em DVD, o que se viu foi uma maior interação entre as cantoras, mas principalmente a atitude reverente de Bethânia em relação a Omara. A grande dama da canção cubana fez um show à parte, comovendo com sua interpretação pungente para canções, como Veinte Años (M.T. Vera) e Dos Gardenias (I.Carrillo), em que ela recorda sua participação no glorioso projeto Buena Vista Social Club. Todo o bloco em que ela se apresenta sozinha com a banda, incluindo a inevitável Guantanamera (J.Fernandez/J.Orban), é irretocável, mas seu momento mais expressivo e gracioso é na dobradinha de Lacho (F.Riviera/J.P.Miranda) com Drume Negrita (E.Grenet), duas canções de ninar.   Bethânia recorre a sua porção rural, canta sambas e também garimpa parte de seu repertório do cancioneiro nacional que tem ligação com ritmos ou temas cubanos, como o bolero Negue (Adelino Moreira/Enzo de Almeida) e a divertida rumba Escandalosa (D.Esteves/M.Silva), que fez sucesso com Emilinha Borba e também foi gravada pela debochada Maria Alcina. Bethânia entra no "espírito da coisa" e diverte o público e a si própria. O dueto com Omara em Havana-me (Joyce/P.C.Pinheiro) é outro destaque desse feliz encontro, que também reúne músicos de Cuba e Brasil para acompanhá-las. Gravado em abril no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, o DVD não tem extras, apenas o show e a discografia completa das duas cantoras.

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