Amazon Studios
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‘O envolvimento com o tráfico não foi glamourizado’, diz atriz principal de ‘ZeroZeroZero’

Andrea Riseborough interpreta Emma Lynwood, filha de um magnata do ramo de transportes marítimos, na nova série da Amazon

Entrevista com

Andrea Riseborough

Paula Reverbel e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2020 | 07h00

Para a atriz Andrea Riseborough, que interpreta Emma Lynwood, filha de um magnata do ramo de transportes marítimos, em ZeroZeroZero, um dos diferenciais da série foi não glamourizar o tráfico de drogas. “Eu já vi séries e li livros em que você quer fazer parte do que está acontecendo, em que o traficante é praticamente sensacionalizado”, conta.

“Nesta série, a diferença é que a cocaína, que nós acompanhamos ao longo de toda a série, é resultado das pessoas almejando poder. Acho que isso era muito profundo”, acrescenta.



 

Como que você se preparou para fazer uma série que retrata tráfico, cartéis e violência?

Eu li bastante sobre o ramo de negócios da minha personagem, que vem de uma família proprietária de uma empresa de transportes marítimos que tem mais de uma centena de anos e cuja sede fica em Nova Orleans. Achei que isso era crucial para entender a vida familiar da Emma (a personagem). Em reação ao tráfico de cocaína, foi um privilégio trabalhar em uma série criada por alguém que escreveu um livro muito técnico sobre o funcionamento do ramo. O livro do Roberto Saviano, que eu li, obviamente, dá uma boa ideia de como esse mundo funciona, embora seja ficcional. A série é uma extensão desse livro. 

 

O Roberto Saviano segue um protocolo de segurança muito rígido. Chegou a conhecê-lo?

Sim, fizemos uma entrevista juntos no Festival de Cinema de Veneza. Ele participou conosco, divulgou muitos fatos sobre tráfico. Foi um privilégio estar lá, ele é uma pessoa muito corajosa, em detrimento da própria segurança. 

 

Temos visto muitas séries que falam sobre drogas. 'Breaking Bad', 'Narcos', 'Fariña', 'El Chapo'. Você assistiu? Alguma ajudou a preparar para esse trabalho?

Assisti, mas não em preparação para essa. São muito diferentes. Enquanto existir o tráfico de cocaína, nós tentaremos compreendê-lo e retratá-lo nas nossas histórias. Sempre haverá histórias sobre cocaína aparecendo na tela. O que eu gostei desta é que o envolvimento com o tráfico não foi glamourizado. Eu já vi séries e li livros em que você quer fazer parte do que está acontecendo, em que o traficante é praticamente sensacionalizado. Nesta série, a diferença é que a cocaína, que nós acompanhamos ao longo de toda a série, é resultado das pessoas almejando poder. Acho que isso era muito profundo.

 

A sua personagem preferia não estar envolvida no que acontece na série, certo? 

Não, acho que isso não é verdade. Ela está absolutamente envolvida. Talvez ela não consiga encarar de frente o que eles estão fazendo, não quer conversar sobre o fato de que ela e sua família são traficantes de drogas, mas ela quer respeito e poder. Quanto mais ela consegue, mais ela precisa e gosta, de uma maneira muito humana. 

 

Quais são as suas visões sobre política antidrogas?

Não sinto que eu domino o assunto bem o bastante para responder a essa pergunta. Não tenho o conhecimento ou a expertise para poder falar disso.

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