O doutor é preciso no diagnóstico

Comentarista do 'Cartão Verde' se revela ótimo palpiteiro ao prever placar de jogo

Gustavo Miller, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2008 | 23h19

Sócrates não é um comentarista de futebol muito comum. Ele não é daqueles que ficam horas filosofando para provar um pensamento. Nem é saudosista, do tipo que fala para todo mundo que só o passado importa. Muito menos é um tático, algo em voga nas mesas-redondas atuais, que só sabe falar de números e mais números.   Veja também:  Outros pitacos Ele é conciso e ligeiro. Sua fala é pá, pá, pá. Esse seu jeito quietão, de caipira de Ribeirão Preto, pode ser visto desde maio no Cartão Verde, tradicional programa esportivo da TV Cultura que foi reformulado este ano. Ao lado de Vladir Lemos, Vitor Birner e Xico Sá, Sócrates, que também é conhecido por Doutor (ele é médico) e Magrão, agora ganhou um novo apelido: bruxo. Pois é, durante suas explanações pá, pá, pá, não é que ele dificilmente erra o placar de um jogo futuro?Os palpites que você dá no programa - com acerto - são chutes ou você segue toda uma lógica?É claro que tem uma lógica: o emocional. Eu analiso os futuros jogos e vejo qual é a situação dos times. O emocional é um diferencial, pois o torcedor joga junto. Veja a situação do Santos e do Flamengo. Falta esse emocional para os comentaristas atuais, que parecem passar mais tempo desvendando táticas?Falta, claro. Tem gente que conhece (de futebol) e não sabe se comunicar. E vice-versa. Comentar aquilo que todo mundo vê na televisão é o óbvio. Agora quem conhece o que está acontecendo dentro do campo pode transmitir para o espectador algo que ninguém consegue perceber: as relações emocionais e psicológicas, as mudanças do jogo que podem acontecer... Quem tem essa experiência sai com muita vantagem.Quem é o melhor comentarista de futebol da TV?Comentarista? Tá ruim, hein... Bem, o Casagrande.Mas faz muito tempo que ele não aparece na TV. Faz falta ter alguém provocador como o Casagrande na televisão?Eu não o vejo assim. Ele é um cara que entende de futebol, sabe se comunicar de forma clara. Ele é provocador só por contrastar com o Galvão Bueno? Isso não é difícil (risos).Como você vê a maioria das mesas-redondas da TV aberta (como Milton Neves, Renata Fan e cia.), que parecem priorizar o entretenimento à informação?Bom, isso é questão de estilo, né? Isso que eles fazem na TV é proporcional ao que essas pessoas realmente são. A comunicação mantém algumas características primordiais. O conteúdo é fundamental, assim como a opinião. Se juntar esses dois fatores com o humor, o resultado é positivo.Nos tempos de boleiro, você nunca escondeu ser fã de uma cervejinha. Hoje quem é baladeiro, como os Ronaldinhos, sofre com a perseguição da mídia. Está mais chato ser jogador de futebol?Não tem muita diferença, não, tirando a velocidade da comunicação, pois a tecnologia de hoje não é a mesma de 20 anos atrás. A diferença é essa. Mas o interesse de parte da mídia em tratar só da vida privada nunca mudou, isso é histórico. O espírito é o mesmo. Obviamente que hoje a divulgação está muito facilitada. Ainda mais com a internet.Mudando de assunto: você viu o vídeo em que o Luciano do Valle critica o Oscar Roberto Godói e o Neto?Não, não vi.Ele fala que para trabalhar ao lado dele é preciso ter diploma de jornalista. E ele tem? Se falou isso, tem de ter.Não sei.... E você tem?(Risos) Não, mas tenho outro.  

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