O deserto de Petra é logo ali

Jayme Monjardim grava novela onde qualquer mal-entendido pode arruinar o expediente

Etienne Jacintho, PETRA, JORDÂNIA, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2009 | 00h14

Jayme Monjardim, em figurino que lembra um Indiana Jones de bermudas, pede silêncio no set de Viver a Vida, próxima novela da 9, de Manoel Carlos, em frente às Tumbas Reais, na cidade de Petra, na Jordânia, mas não pode impedir o ruído de um camelo ou o flash de um turista desavisado. Tudo bem. Afinal, ele e Manoel Carlos decidiram filmar em Israel, Jordânia e Paris, por 46 dias. Na folga da equipe da Globo, o diretor conversou com o Estado, enquanto lia o roteiro à beira da piscina. "Não dá para reclamar, certo?", brinca.

Na época de 'Páginas da Vida', você falou muito em mostrar o Rio, cenário preferido de Manoel Carlos, de forma diferente. E agora?

Agora também.

Como?

Vamos trazer um Rio diferente de novo. A primeira novidade é que haverá Búzios, com muito mar, sol, barcos... Estamos tentando trazer um Rio que as pessoas se encantem. Claro que os grandes atrativos do Rio estarão presentes, mas com visões diferentes, sob outros ângulos. Qualquer coisa na vida tem 360 graus.

Quando você filma aqui na Jordânia, pensa nos brasileiros que vão conhecer o país através da novela. E quando filma no Rio, pensa nos estrangeiros que terão acesso à novela?

Confesso que penso, porque a Globo não deve mais fazer novela só para o Brasil, tem de fazer novela para o mundo. A gente só não entra em 19 países. No resto do planeta há novela da Globo. Gostaria também de contribuir, como diretor, para ampliar os horizontes da TV em que trabalho.

Qual é a maior dificuldade de filmar aqui?

Talvez essa seja a novela mais difícil que fiz em estratégia, porque o deslocamento aqui em Petra é muito difícil. E trabalhar em Israel não foi fácil. Não deixa de ser um país em guerra e precisamos estar com os documentos sempre em ordem. Aqui em Petra, gravar em qualquer lugar demanda um deslocamento muito grande, você depende de muita gente e não pode trabalhar com outro tipo de transporte que não sejam as mulas. A língua é outra dificuldade. O inglês deles não é muito claro. No primeiro dia percebi que era melhor falar em português e o menino traduzir para o árabe. Uma coisa mal explicada atrasa a gravação.

Apesar de a Jordânia ser um país mais neutro nessa zona de guerra, como foi a logística?

Tudo é complicado, mas quando você está nesse processo de acordo com o governo, é ele que abre as portas e facilita o processo burocrático, nossos passaportes têm cartas explicando o que estamos fazendo e temos apoio do embaixador. Nosso equipamento vem da Síria, outra parte, de Israel. Tem de atravessar a fronteira, tem de chegar no prazo.

Você chegou a assistir à novela 'O Clone' aqui na Jordânia?

Vejo todas as noites e me divirto. Acho incrível a novela ser dublada, as vozes são completamente diferentes.

Viagem feita a convite do Jordan Tourism Board

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