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O derradeiro adeus de 'Mad Men'

Temporada final foi dividida em duas partes e a última vai ao ar em abril; leia análise do publicitário Washington Olivetto

Mariane Morisawa / LOS ANGELES, Especial para o Estado

28 Março 2015 | 03h00

Dizer adeus a qualquer coisa que fez parte de sua vida por quase dez anos é difícil. Matthew Weiner, criador de Mad Men, que chega a seu final a partir do dia 6, às 21h, na HBO, teve várias despedidas. A primeira foi em 3 de julho do ano passado, quando dirigiu as últimas cenas da série que mudou a televisão, colocou o canal americano AMC no mapa, fez os anos 1960 voltarem à moda e ajudou a reabrir as discussões sobre racismo, questões de classe e sexismo. “Não sou um monstro, claro que fiquei emocionado”, disse, em entrevista à imprensa internacional no hotel Four Seasons, em Beverly Hills. “Mas senti que precisava segurar as pontas, terminar de rodar e manter o cronograma. Não tenho uma relação paternal com meu elenco nem com minha equipe, só que achei que tinha de ser a pessoa a mantê-los centrados.”

O segundo fim veio meses depois, em outubro, quando terminou o trabalho de edição. “Perdi o controle. Parte por fadiga, parte porque nunca mais ia ver aqueles personagens.” O terceiro, quando fez a mudança do escritório que ocupou nesse tempo todo. “Alguns meses antes estava à frente de uma série com centenas de empregados. Saí com uma caixa e meu laptop.”

Nas últimas semanas, foi a hora de se reunir novamente com o elenco para mais um adeus, a divulgação dos últimos sete episódios da sétima e derradeira temporada de Mad Men. O oitavo capítulo desta temporada dividida em duas chama-se Severance (“rompimento”) e é dedicado ao cineasta Mike Nichols, que morreu em novembro. Weiner pediu aos jornalistas que certas informações não fossem reveladas, mas dá para dizer que Don Draper (Jon Hamm) está num momento de grande confusão. Peggy (Elisabeth Moss) e Joan (Christina Hendricks) são vítimas de um caso de machismo explícito e têm uma grande cena no elevador.

Matthew Weiner garantiu que sabia o que ia acontecer no final de Mad Men assim que vendeu o seriado para a AMC – claro, caso conseguisse ter temporadas suficientes para concluir a história de Don Draper. O “como” surgiu três anos atrás. Na época, contou à sua mulher, a alguns dos produtores e a Jon Hamm. Estava confiante de que não vai desapontar os fãs. “Como várias outras vezes em Mad Men, está na sua cara.” Por medo de que o final vazasse, na leitura de mesa dos últimos episódios, o roteiro apresentado aos atores era falso. Depois, alguns deles foram chamados à sua sala para saberem o que de fato acontecia com seus personagens. Kevin Rahm, que vive Ted Chaough, um dos sócios da agência, afirmou que até agora não tem ideia de como será o fim. Vai descobrir junto com os espectadores.

A exibição dos últimos episódios depois de nove meses de espera marca a despedida final de Mad Men para Weiner, de 49 anos. “Não sei o que vou sentir depois. Porque foi tão bom, superou todos os meus sonhos. E é um terço da minha vida”, disse.

Ele levou para casa pelo menos um objeto de cada cenário: o troféu Clio que Don ganhou, o bar de Roger (John Slattery), o grampeador de Peggy (Elisabeth Moss). “Acredito que os objetos têm poder.” No caso, o poder de deixar mais viva na memória uma das melhores séries de todos os tempos.

Geração dos 60 encabeçou primeira revolução criativa

Washington Olivetto, publicitário, chairman da WMCCANN

A série Mad Men reflete muito dos publicitários dos anos 60, com os óbvios exageros da dramaturgia. Os autênticos mad men eram meus ídolos quando comecei, aos 18 anos. No último dia 30, fui o primeiro não anglo-saxão a entrar para o Hall of Fame, do One Club de Nova York, onde estão os verdadeiros mad men. Esses senhores eram de uma geração em que a publicidade fazia a primeira revolução criativa, uma geração em que surgia a pílula anticoncepcional e a minissaia. Tinha uma não presença do politicamente correto. Trabalhava-se brilhantemente e caia-se na gandaia brilhantemente, essa é a verdade. Existe uma foto de 1998, no restaurante mais frequentado por essa geração em Nova York, o Four Seasons, com os mad men todos de terno e gravata, dentro da piscina, com as calças arregaçadas. Tive a sorte de começar nos anos 70 como beneficiário de uma propaganda já profissionalizada, influenciada pela geração norte-americana dos anos 60. Todo aquele tititi que havia com a publicidade está hoje na profissão do chef de cozinha. Hoje, os mad men são os Rodrigos do Mocotó e os Ferran Adriá. 

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