O 'capitão do riso' Agildo Ribeiro também foi ator dramático no cinema

Entre os dramas que protagonizou no cinema nos anos 1960 estão 'Tocaia no Asfalto', 'Esse Mundo É Meu', 'O Crime do Sacopã'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

28 Abril 2018 | 18h32

Agildo Ribeiro já vinha filmando desde 1955 – Angu de Caroço – e sempre em papéis cômicos. Por isso,opúblico que se acostumou a vê-lo como "o capitão do riso" – foi educado em colégio militar - talvez se surpreenda com a afirmação de que, no começo dos anos 1960, seus filmes mais importantes o mostraram num outro registro – como ator dramático, e bom. Agildo Ribeiro morreu neste sábado, 28, de complicações cardíacas, no Rio. Tinha 86 anos.

Entre os dramas que protagonizou nos anos 1960 se destacam Tocaia no Asfalto, Esse Mundo É Meu, O Crime do Sacopã. Roberto Pires, pioneiro do cinema baiano, dirigiu o primeiro e o terceiro. Tocaia no Asfalto, de 1962, é sobre pistoleiro de aluguel, Rufino, contratado para matar um político. O contratante exige que ele seja assassinado na igreja, e Rufino vacila porque a crendice popular diz que a igreja ficará fechada por 100 anos se um crime for cometiodo em seu interior.

Como protagonista, Agildo é cercado por um eficiente elenco de coadjuvantes que reúne o melhor do cinema baiano da época – Geraldo Del Rey, Araçary de Oliveira, Antônio Pitanga, Jurema Penna. O filme integra-se ao ciclo urbano do Cinema Novo e tem fotografia belíssima – e realista – de Hélio Silva, em preto e branco.

O Crime do Sacopã, de 1964, inspira-se num célebre crime ocorrido no Rio, nos anos 1950. Tenente da Aeronáutica é preso e condenado. O filme, com a participação do próprio tenente Bandeira, sugere que a vítima é que era culpada. Entre ambos, Agildo Ribeiro fez Esse Mundo É Meu, com direção de Sérgio Ricardo. Vindo da chanchada, tornou-se um ator do Cinema Novo. Ele nasceu no Rio, em 26 de abril de 1932, filho de um destacado político, Agildo Barata. Estourou como João Grilo ao fazer no palco o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.

Na Globo, coestrelou programas de humor com Jô Soares, Paulo Silvino e Chacrinha. Seu maior sucesso foi com O Planeta dos Homens. Teve o próprio programa. Estúdio A...Gildo. Contribuíram para a popularidade os bordões – como o do Professor Arquelau, apaixonado pela atriz Bruna Lombardi, que chamava o mordomo de "múmia paralítica" no Planeta – e a parceria com Topo Gígio, no humorístico sobre o rato. Seus filmes mais recentes foram O Homem do Ano (2003), de José Henrique Fonseca, e A Casa da Mãe Joana (2008), de Hugo Carvana. No cinema, foi sempre pendular – drama, comédia.

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