Paulo Pinto/AE
Paulo Pinto/AE

O 'boa noite' não é mais o mesmo...

Com o fim da era Cid Moreira, TV aposta em jornalistas mais despojados como Tiago Leifert

TV,

07 de agosto de 2011 | 06h00

Se é para jogar holofotes sobre o que transforma a TV de 1992 para cá, o jornalismo merece um capítulo só seu.

 

Até 20 anos atrás, o modelo Cid Moreira era regra. O apresentador atuava, em frente às câmeras, quase como um locutor de rádio, ostentando uma rigidez que criou escola por todas as emissoras. Mas o SBT já impunha um novo estilo para o gênero desde 1988, com Boris Casoy à frente de seu principal noticiário e plena liberdade para mandar uma "banana" para as câmeras ou proferir seu bordão, "É uma vergonha!".

 

Na Globo, foi só em 1996 que Cid Moreira deixou a bancada, mas nem por isso seus apresentadores passaram a opinar sobre a notícia. Numa decisão histórica para o telejornal de maior alcance do País. Cid e Sérgio Chapelin foram substituídos por William Bonner e então Lillian Witte Fibe.

 

Na extremidade oposta ao modelo Cid está Tiago Leifert, o garoto prodígio do jornalismo da Globo hoje. Moço capaz de mandar o teleprompter para o espaço, assume suas gafes ao vivo e faz delas mais um componente de humor em cena. Restrito à praça paulista até o ano passado, ganhou fama nacional ao comandar o Central da Copa, aliando piada e credibilidade. Não é para qualquer um.

 

Por falar em Copa, Fátima Bernardes acumula quatro mundiais no currículo, mas foi nos últimos anos que suas entradas no Jornal Nacional ficaram, digamos, mais descontraídas. A jornalista chegou a mandar recado no ar, via Bonner, seu marido e parceiro de bancada, para "as crianças". Era só um chamariz para a campanha de vacinação do dia seguinte, mas era algo impensável nos idos de Cid e Chapelin. Hoje, Bonner é um dos darlings do Twitter, onde interage com humor com o público e até pede ajuda para escolher suas gravatas.

 

Debate eleitoral. Se os telejornais ganharam informalidade, o contrário se deu nos debates eleitorais, cada vez mais engessados por regras e estratégias impostas pelos marqueteiros dos candidatos. Há coisa de 11 anos, vimos Marta Suplicy perder a paciência com Paulo Maluf em um debate da Band em disputa pela prefeitura de São Paulo.

 

Hoje, orientados pelo marketing, não há candidato que arrisque gestos agressivos em debate eleitoral.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.