Novos discursos sobre o amor

Fiel seguidor da tradição do cinema francês, Christophe Honoré encanta com Em Paris

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2009 | 22h41

Eis um filme tipicamente francês, a começar pelo título: Em Paris (Imovision). E o enredo segue o mesmo padrão: deprimido por ter se separado da namorada, rapaz volta para a casa do pai, na capital francesa, onde divide suas aflições com o despreocupado irmão. Com direção de Christophe Honoré (o mesmo de A Bela Junie), o filme segue uma tradição tipicamente francesa, que é a fluência de diálogos, o amor como tema essencial das conversas, o confronto entre a angústia e o hedonismo. Mas não se preocupe: como fiel seguidor de Godard e especialmente de Truffaut, Honoré criou um personagem que seria um mix de Belmondo/Brialy/Léaud - trata-se de Louis Garrel, o ator-fetiche do momento do cinema francês.Ele vive o irmão despreocupado, aquele que chega a transar com três mulheres no mesmo dia em que o irmão angustiado chega a pensar em suicídio. Garrel e Honoré, aliás, vêm solidificando uma parceria valiosa, em filmes cuja mensagem final ressalta importância de viver. O diretor homenageia ainda outro realizador francês, Jacques Démy, especialmente nas interrupções do diálogo para a entrada de músicas. Simplesmente fascinante.

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