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Novo ‘Arquivo X’ dá saudade da antiga versão

Críticas à parte, o fato é que os seis episódios da 10ª temporada cumpriram a missão e a série deve seguir em frente

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2016 | 16h00

Ao ressuscitar a série Arquivo X, o canal Fox apostou em dois filões: o saudosismo dos milhões de fãs do passado que foram cúmplices das dupla Scully/Mulder e o engajamento de novos consumidores.

A primeira constatação é que, apesar do salto no tempo, a série ainda conta com uma legião de fiéis seguidores nas redes sociais. E eles não digeriram muito bem as críticas feitas a nova versão. No terceiro episódio, o bom e velho agente Fox Mulder conversa longamente (e toma uns drinques) com um alienígena travestido de ser humano em um cemitério.

A criatura, que à noite vaga nu na forma de um ser verde, está em crise de identidade. Com ar de enfado, o ET deprimido reclama de problemas terráqueos como o alto preço da hipoteca. Era para ser hilário, mas para muita gente que conheceu agora a série essa foi a gota d’água. A produção é tão tosca que a cena mais parece uma paródia do programa Saturday Night Live. A sacada humorística com pitadas de crítica social quebrou o clima.

Para quem não era fanático (mas apenas gostava da série) a lembrança afetiva é de uma trama que estimulava a imaginação, procurava não perder totalmente a verossimilhança e mantinha um clima de conspiração.

Por esse prisma a retomada de Arquivo X teria esculhambado a receita original. Mas há quem discorde. Os seguidores “orgânicos”, por exemplo. Sempre que alguém entra no assunto, eles, os fãs, dizem que o criador do seriado fez um “link” com os episódios antigos, muitos deles com pegada cômica, para que os seguidores suspirassem com as entrelinhas. O terceiro episódio seria na verdade uma desconstrução da série e um dos melhores de toda sequência de Arquivo X.

Outro questionamento recorrente ao “novo” Arquivo X é que logo no primeiro episódio descobrimos que nada do que achamos que sabemos é verdade. Foram anos acompanhando a rotina de uma grande conspiração, mas tudo era na verdade uma cortina de fumaça.

O excesso de informação e a pressão também são marcas da série. São muitos alienígenas em situações estranhas (e bizarras) em um curto espaço de tempo. Em tempo: é difícil entender porque Fox Mulder não consegue se adaptar aos celulares modernos. Em nome da nostalgia, sacrificaram a lógica. Não consta que ele tenha ficado congelado no tempo.

Críticas à parte, o fato é que os seis episódios da 10ª temporada cumpriram a missão e a série deve seguir em frente.

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