Novela brinca de Você Decide

Na trama da Globo que estréia amanhã, público ajudará a escolher quem é vilã e quem é mocinha

Keila Jimenez, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2008 | 21h42

Elenco reduzido, trama centrada nos protagonistas, suspense, dramalhão... A Favorita, novela das 9 da Globo que estréia amanhã, tem cheiro e cara de novelão à moda antiga. A não ser por uma coisa: o público escolherá quem é a vilã e quem é a mocinha da história. No folhetim que marca o début de João Emanuel Carneiro (Da Cor do Pecado e Cobras & Lagartos) no horário, as protagonistas oscilarão entre o bem e o mal, terão versões verossímeis para suas agruras, deixando que a audiência abra a banca de apostas em busca de sua preferida. Ah, audiência... Voltamos nessa escolha de personagens mais adiante.     Veja também:Ela já começa como favoritaEm se tratando das tramas das 9, a Globo ainda sonha com os 60 pontos de ibope de tempos atrás. Combate ou simplesmente finge que não vê a migração de público para web, a perda de público jovem da TV, a concorrência... Talvez, também, porque essa média não tenha ficado em um passado tão distante: Páginas da Vida (2006) bateu várias vezes a casa dos 61 pontos."Claro que queremos esse índice de novo. Novela vive de sucesso. O lance é que antes o Everest ficava logo ali, agora ele está lá (aponta para longe), além de termos que passar pelos chineses, não é?", fala o diretor-geral de A Favorita, Ricardo Waddington. "Apesar do texto moderno do João Emanuel, a novela tem uma formação parecida com a das novelas de antigamente", explica. "A trama gira mesmo em torno dos personagens principais, tem que se segurar ali. Também estamos apostando em um elenco mais enxuto (53, metade de Duas Caras)."ClássicoE a inspiração nas precursoras parece não ter ficado só no formato. Em A Favorita, duas amigas de infância, Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Cláudia Raia), separadas pelo ciúme, viram rivais. Acusada do assassinato do ex-marido de Donatela, com quem teve um caso e uma filha, Lara (Mariana Ximenez), Flora vai parar na cadeia. Enquanto isso, Donatella, rica e livre, trata de criar, cheia de mimos, a filha da rival presa. Assim que sai da cadeia, 18 anos depois, Flora quer vingança e Lara tem de escolher entre as duas "mães".Ué, mas essa não é a saga de Júlia Matos (Sônia Braga) e Yolanda Pratini (Joana Fomm) em Dancin? Days (1978)?"Mas Júlia e Yolanda eram irmãs, as nossas protagonistas são amigas", alega Waddington, engrossando o coro composto também por autor e Globo, de que tudo não passa de coincidência. "Essa história de ex-presidiária que quer conquistar a filha é clássica", explica. Mas, apesar de Flora largar com vantagem no coração da audiência posando de "injustiçada", a maré deve virar. A idéia do autor é manter até o fim o público na dúvida sobre qual das duas realmente é a vilã - Flora diz que Donatela é a assassina - e até participar dessa escolha, elegendo a sua "favorita". Daí o nome da trama."O João (autor) deve ter algo em mente, mas quer investir nesse lance de obra aberta. E acho que o público vai mudar de opinião várias vezes", explica o diretor do folhetim.Dúvidas à parte, entre o que deve render na trama está o duelo de titãs de Tarcísio Meira e Mauro Mendonça. Há também um núcleo dos jornalistas e o das prostitutas, comandado por Elizangela. É aí que entra Débora Secco, que irá de retirante a moça dada em dois pulos. Murilo Benício é mal, e ponto. Gay, só enrustido, que o personagem de Cauã Reymond vai tirar do armário. Amuleto do autor, Taís Araujo será uma ninfomaníaca. Chico Diaz agora será bonzinho, e Lília Cabral pagará os pecados de Marta (Páginas da Vida) vivendo uma mulher humilhada pelo marido. E o sempre pegador José Mayer, além de ver ET, será traído pela mulher que ele achou ter sido abduzida.(leia mais na pág.6)Tudo regado a imagens de São Paulo - a novela é ambientada na cidade - e trilha que Tarantino iria adorar: mistura de tango com música eletrônica. Agora, faça sua aposta: quem será "A Favorita?"

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