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Nova temporada de ‘PSI’ convida para análise além do divã

Série de Contardo Calligaris na HBO estreia no domingo com Cláudia Ohana e Emílio de Mello; Violência doméstica é o tema

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

28 Setembro 2015 | 06h00

A violência, começando pela doméstica, norteia a segunda temporada de PSI, série da HBO Latin America produzida no Brasil, que estreia no domingo, dia 4, às 22h. Os dez episódios agora têm selo de produção da O2 Filmes – a primeira temporada foi feita pela Damasco e Biônica Filmes. A essência, no entanto, não muda: o psicoterapeuta, escritor e roteirista Contardo Calligaris se mantém no papel do que os americanos chamam de “showrunner”, acumulando os créditos de criação, roteiro e direção-geral. 

Na linha de frente das câmeras, Emílio de Mello honra a condição do protagonista Carlo Antonini, médico psiquiatra, doutor em psicologia clínica e psicanalista, de novo dividindo a cena e os diagnósticos com a grande amiga Valentina (Cláudia Ohana) – e não espere nada além de amizade na parceria entre os dois.

Finda a primeira temporada, Carlo, acometido por um certo fastio e desatenção, embarcou para a Itália, onde ficou por um ano. O início da nova safra marca sua volta a São Paulo, a convite de um ex-paciente, para ser coordenador clínico da ONG O Abrigo, voltada aos cuidados com vítimas de violência doméstica. Ao mesmo tempo, ele mantém a agenda de pacientes de sua clínica, que agora divide com Valentina, assim como os casos envolvendo detentas de um presídio, adolescentes de um colégio de classe alta, uma modelo e uma jovem possuída pelo demônio. 

“Eu adorava a insatisfação dele, adoro aquele jeito de quem está de saco cheio das coisas”, disse Emílio ao Estado, durante uma sessão de entrevistas com a equipe da série. “Agora, não tem isso. Por outro lado, tem uma tranquilidade para lidar com os casos cabeludos, que eu também adoro. Nos primeiros dias de filmagem, um ator começou a falar o caso dele super empenhado e, na hora, ele parou e falou para o diretor: ‘Vem cá, ele vai fazer essa cara de paisagem?’”, diverte-se Emílio. “Isso é bem a cara do Carlo, de ouvir coisas cabeludas. É uma cara que não é de desatenção, de julgamento, é uma cara empenhada, é difícil, não é fácil.”

Cláudia reforça e defende o colega. “O Emílio fala esse texto, que é muito difícil, maravilhosamente, com uma embocadura, com uma naturalidade, com quebra, é incrível, sou muito fã”. A atriz conta ter três terapeutas – um psiquiatra, uma psicóloga e um massoterapeuta. “E tem outro pra interná-la de vez em quando”, intervém Emílio, rindo.

Durante as gravações, conta Cláudia, é melhor dar um tempo na terapia fora do set. “Você começa a achar que está sacando tudo, inclusive eu queria falar uma coisa de você”, brinca ela com a repórter. “A gente sente necessidade de sair um pouco (da terapia) porque senão fica analisando a análise, é complicado também na vida, no relacionamento amoroso, você começa a analisar a pessoa. Já nas reuniões que a gente fez antes de gravar, a mesa em que discutíamos cada caso era demais”. “Saíamos de lá para jantar e poderíamos ficar falando nisso a noite toda”, emenda Emílio.

A inspiração para prolongar a conversa vem do próprio Contardo, generoso na extensão do debate em torno do roteiro. Sempre disposto a dar mais corda para a reflexão do assunto, o psicanalista dará um plantão online de uma hora no Twitter, com câmera, após a exibição inédita de cada episódio (a partir das 23h de todo domingo), para responder e comentar sobre a história do dia. “Mas se alguém me conta toda a sua vida para saber se deve casar ou não, não vou responder. Ou então eu respondo: ‘compre a bicicleta’”, diz, em referência à piada que reduz uma decisão importante ao dilema entre casar ou comprar uma bicicleta.

O elenco mantém em cena Raul Barreto, o coveiro com mestrado em Filosofia, amigo de Carlo, Aida Leiner, Igor Armucho, Victor Mendes, Paula Picarelli e Camila Leccioli. A esses, juntam-se Christiana Ubach, como uma garota toda tatuada que tem um relacionamento com Carlo, Renato Caldas, um livreiro especialista em obras raras, a modelo Daiane Conterato, como a modelo Ariel, Laura Neiva, estudante que se prostitui no colégio, e Marcello Airoldi, um padre dominicano com formação psicanalítica. Os episódios foram dirigidos por um time que inclui Laís Bodansky, Alex Gabassi (que já comandou o set na primeira temporada), Tata Amaral, Rodrigo Meirelles e Max Calligaris, produtor associado e diretor assistente na primeira temporada de PSI. 

Série sobre psicoterapia feita por um profissional do ramo dispensa consultoria externa. A presença de Contardo no set é um ganho para a atenção dos atores no uso do vocabulário. Emílio revela que não deve tratar o paciente na segunda pessoa – nada de “eu vou te ajudar” – nem iniciar a sessão com a pergunta retórica “Está tudo bem?”. “É claro que não está tudo bem”, esclarece.

“Se você fizer uma série dramática, pode pensar o que quiser”, explica Roberto Rios, produtor da HBO Latin America. “Numa série como essa, em que você está tratando sobre casos específicos, não pode inventar uma coisa que não existe, senão você destrói a dignidade do negócio”, completa Rios. Contardo emenda: “É claro que (a série) tem casos que eu descrevi em papéis científicos, misturas, e também é preciso transformar aquilo em dramaturgia”. E conclui: “No fundo, o trabalho do psicoterapeuta é ajudar alguém a construir a sua vida, de forma que ela se torne uma boa história, uma história que vale a pena ser contada”. 


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