Reprodução de 'The Handmaid's Tale' (2017) / Paramount Pictures
Reprodução de 'The Handmaid's Tale' (2017) / Paramount Pictures

Nova temporada de 'Handmaid's Tale' não deveria ser 'tortura para assistir', diz criador

Série volta ao ar nesta quarta-feira, 5, nos Estados Unidos; novos episódios chegam ao Brasil no dia 15

Jill Serjeant, Reuters

05 de junho de 2019 | 11h05

Com o seu retrato arrepiante de uma ditadura patriarcal onde as mulheres são rotineiramente estupradas, mutiladas e separadas à força de seus filhos, The Handmaid's Tale às ​​vezes se mostrou difícil de suportar. Mas Bruce Miller, criador e produtor executivo da série de televisão baseada no romance de 1985 de Margaret Atwood, diz que "não está no ramo de inventar crueldades".

"Eu não quero que o show seja uma tortura para assistir. É entretenimento, e você quer que as pessoas sejam compelidas por isso", disse Miller. A terceira temporada da série ganhadora do Emmy chega ao serviço de streaming Hulu nesta quarta-feira,12, com seu retrato da vida no estado fictício de Gilead, nos EUA.

Após recusar a chance de escapar de Gilead com seu recém-nascido, a aia June, interpretada por Elisabeth Moss, decide permanecer lutando contra uma sociedade onde as mulheres são proibidas de ler e escrever e forçadas à servidão. A segunda temporada, que foi ao ar no ano passado, continha cenas de espancamentos, enforcamentos e estupros que muitos espectadores consideraram sombrios demais. 

"Eu não estou interessado em colocar o público sob tortura", disse Miller, "eu tento mostrar apenas as coisas que precisamos ver para entender onde June está emocional e mentalmente." "O que estou tentando fazer é contar a história da sobrevivência e da vitória de June. É uma longa e lenta tarefa."

A terceira temporada chega quando mulheres nos Estados Unidos, às vezes usando os distintos vestidos vermelhos e chapéus brancos vistos na série de TV, estão protestando contra leis que restringem severamente o aborto. A última temporada coincidiu com uma repressão à imigração ilegal nos EUA. 

Embora o tema da terceira temporada seja a rebelião, Miller diz que não há solução rápida. "Queremos mostrar como um herói realmente se parece – alguém que é teimoso, é derrubado, fica machucado e se recupera e tenta de novo", disse Miller. Miller disse que quaisquer paralelos diretos entre a série de televisão e os eventos mundiais atuais não são intencionais, embora Atwood tenha dito que todos os eventos em seu livro foram retirados da história.

 "Nós tentamos pensar no que poderia acontecer em Gilead ... (Mas) se você vai fazer uma televisão ligada ao mundo real, vai ser inquietante como a turbulência política que o mundo está passando agora”, disse Miller.

 

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