Nova temporada da série ‘Rotas do Ódio’ traz o universo dos imigrantes ilegais

Nova temporada da série ‘Rotas do Ódio’ traz o universo dos imigrantes ilegais

Na 3ª temporada da produção, que estreia neste domingo, 4, na Universal TV, a equipe da delegada Margareth, vivida por Mayana Neiva, investiga a morte de duas bolivianas

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2019 | 15h54

Em maio do ano passado, a notícia sobre o desabamento do prédio Wilton Paes de Almeida no centro de São Paulo jogou luz sobre uma rotina perversa que faz parte da paisagem paulistana. Cerca de 25% dos moradores eram estrangeiros, segundo um cadastro feito pela prefeitura em março. A maior parte era de angolanos, mas havia também muitos peruanos, bolivianos e dominicanos. 

Quem anda pelo centro está acostumado a cruzar com estrangeiros dessas nacionalidades, mas não imagina como é dolorida a vida dos que optaram pelo Brasil para fugir da miséria ou da guerra na terra natal. Além do preconceito do dia a dia, esses imigrantes são vítimas de violência movida pelo ódio e muitas vezes submetidos a trabalho escravo ou análogo à escravidão. Esse é o ponto de partida da terceira temporada da série Rotas do Ódio, que estreia neste domingo, 4, às 23h, na Universal TV.

Depois de enfrentar uma gangue neonazista nas temporadas anteriores, agora a equipe do Decradi, delegacia especializada em crimes de ódio e intolerância, se desloca para o universo dos imigrantes ilegais após o assassinato brutal de duas bolivianas em uma oficina de costura clandestina.

A investigação leva a delegada Margareth (interpretada pela competente atriz global Mayana Neiva) e seu time para uma ocupação ilegal de um edifício no centro. Tudo ali remete ao Wilton Paes de Almeida. Ao chegar ao local, a parede ao lado da porta exibe um grafite onde se lê: “Quem matou Marielle?”.

Na preparação para a terceira temporada, Mayana entrou em contato com o universo subterrâneo do binômio moda e escravidão, e conheceu uma boliviana que trabalhava 12 horas por dia com um salário de R$ 140 por mês. A jornada ia das 6h30 da manhã até as 23h.

O fio narrativo continua sendo a organização neonazista Falange, que sintetiza as 23 gangues mapeadas pelo Decradi da vida real. 

Instalada em uma sala modesta no centro de São Paulo, a Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância foi o ponto de partida da cineasta Susanna Lira na produção do documentário Intolerância.doc, no qual se baseia a série ficcional Rotas do Ódio.

A diretora acompanhou com uma câmera na mão uma equipe da Decradi, que investiga grupos organizados que praticam ataques homofóbicos ou racistas.

Na série, o ódio que move os integrantes da gangue neonazista pode parecer exagerado, mas é absolutamente verossímil e faz parte da rotina. A produção da série conseguiu reproduzir com perfeição o universo.

A quarta temporada da série já foi gravada e terá a homofobia como carro-chefe. Isso abriu espaço para a atriz transexual Renata Peron virar protagonista. Ela é ativista dos direitos LGBT e está no elenco desde a primeira temporada. A história de Renata se funde com o roteiro. Peron perdeu um rim antes de buscar ajuda na Decradi da vida real. Em tempo: parte do elenco é formada por atores que são imigrantes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.