Myles Aronowitz|Netflix | DIV
Myles Aronowitz|Netflix | DIV

Nova série ‘Jessica Jones’ é o melhor da Marvel para adultos

Série conta a história de heroína assombrada por um terrível passado

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2015 | 16h00

Jessica Jones não é igual a nenhum outro herói, ou heroína, já mostrado na TV ou cinema. Talvez porque ela não seja uma heroína, de fato. Não usa um uniforme de fato e foge dos estereótipos básicos de todo ser “super” que se preze. A senhorita Jones bebe além da conta, distribui sopapos a torto e a direito, e não parece estar muito interessada em salvar a humanidade.

A série que leva o nome da personagem, a segunda parceria entre a Marvel e a provedora de serviço de TV por streaming Netflix, estreou nesta sexta-feira, 20, com todos os seus dez episódios de uma só vez. Assim como aconteceu com Demolidor, primeira produção da dupla, estreada em abril, um sucesso de crítica e de público tão grande que já teve uma nova temporada confirmada.

Jessica Jones é a segunda empreitada da Marvel por um território adulto nas telas. Demolidor ainda trazia algo de tradicional, o bom moço cego que usa suas habilidades para trazer segurança para o seu bairro, o Hell’s Kitchen, em Nova York. Embora a violência estivesse presente em diferentes momentos, as lutas ainda eram coreografadas, menos cruas.

A pancadaria proporcionada por Jessica, interpretada por Krysten Ritter (Breaking Bad), é atrapalhada. Afinal, a garota não tem treinamento algum. A origem dos seus poderes, força sobre-humana e resistência a impactos, é a mesma dos quadrinhos: um acidente automobilístico mata os pais dela e ela é exposta a uma espécie de radiação e se torna, desde então, diferente dos humanos comuns.

Também assim como a personagem criada pelo Brian Michael Bendis, na HQ Alias, em 2001, Jessica tentou usar seus poderes para o bem, assumindo um papel de super-heroína, mas nada seguiu como ela imaginou. Nada de glórias e vilões atrás das grades. Quando encontrou um sujeito chamado Kilgrave, também conhecido como Homem Púrpura – mesmo vilão da série de TV, interpretado por David Tennant –, perdeu o controle sobre a sua própria vontade. E, bom, as coisas ficaram bastante sangrentas por um tempo.

A série tem início já nessa tentativa de Jessica voltar ao mundo real. Cria a sua própria agência de investigação e tenta reunir dinheiro suficiente para pagar as contas e as doses extras de uísque que consome dia e noite. Ela é perturbada pelo passado dela. Sobrevive a cada dia por vez.

E este é o grande acerto de Jessica Jones. A não glamourização do herói, algo já flertado em Demolidor, transforma a série em um entretenimento adulto de qualidade impressionante. Diálogos humanizados, pouco flashbacks explicativos e um roteiro capaz de dialogar com fãs da personagem e marinheiros de primeira viagem.

Não é por acaso que a série é o melhor que Marvel já fez para adultos – esqueça aquele colorido todo de Os Vingadores. Ousada e, ainda assim, firmemente focada em construir uma personagem multifacetada. Jessica Jones é, inclusive, a personagem feminina que o estúdio sempre foi acusado de evitar. A justiça está feita, enfim.

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