Divulgação/RedeGlobo - Renato Rocha Miranda
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Nova produção da Globo, 'Amorteamo', é baseada no Recife do século 19

Série põe cadáveres em ação e explora um Nordeste mítico

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

07 Abril 2015 | 19h00

Histórias de mortos-vivos têm apelo com o público desde sempre, em qualquer lugar do planeta, mas Amorteamo, título que duela entre “A-Morte-Amo” e “Amor-Te-Amo”, vale-se do Recife do início do século passado como referência. Partindo da capital pernambucana, a nova série para as noites de sexta na Globo (no ar a partir de 8 de maio) tem roteirista pernambucano - Newton Moreno - e direção idem, lançando aí a já experiente Flávia Lacerda em seu primeiro trabalho solo na Globo, sob a bênção do não menos pernambucano Guel Arraes. Na trilha sonora, João Falcão assina consultoria e a produção é de Juliano Holanda, igualmente conterrâneos.

“Esse projeto nasceu tem mais de um ano: a Denise Saraceni e o Newton pensaram em fazer uma história que tivesse alma, assombrações e usasse um pouco esse lado místico do Nordeste, essa tradição de histórias que tivesse um terror nordestino e um pouco do universo do Newton”, diz Guel em entrevista ao Estado.

Ele convidou Cláudio Paiva a trabalhar com Newton na criação e no script. E aí está o primeiro trabalho da dupla Guel e Cláudio que não resvala na comédia. Quando a produção começou a sair do papel, Denise Saraceni já não poderia dirigir e sugeriu, de comum acordo com Guel, o nome de Flávia para a direção-geral.


A história é de assombração, mas o melodrama domina o enredo e garante o apelo às massas. “A gente pensou em fazer uma história de amor, jovem, mas um triângulo em que a terceira ponta fosse sobrenatural. Ouvi muita história de mal-assombro, de alma quando eu era pequeno, e existe um Recife meio sombrio, que não é só solar, é o Recife do rio, do mangue escuro”, continua Guel. Embora figurino e sotaque não se apeguem com fidelidade a local e época de referência, a base do roteiro respeita os tempos e inspirações de Charles Baudelaire, passando por Álvares de Azevedo e Augusto dos Anjos.

A maldição está em cada detalhe da maquiagem e da direção de arte, como evidenciam as fotos ao lado. Em tom de noiva cadáver, com unhas artificiais e cicatrizes na pele, Marina Ruy Barbosa surge de cabelos negros, em nada lembrando a doce e ruiva Maria Ísis de Império. Ela é Malvina, a noiva abandonada no altar por Gabriel (Johnny Massaro), que se mata ao ser trocada por Lena (Arianne Botelho). Outro triângulo é fechado entre Jackson Antunes, Letícia Sabatella e Daniel Oliveira.


“A gente se inspira esteticamente no início do cinema”, conta Flávia. “É tudo exacerbado, até de certa forma expressionista, com referência mais sombria no cinema alemão, também na forma de interpretar, que vai além do nosso naturalismo televisivo”, completa. A dupla ressalta ainda o uso de muito efeito especial, obra dos recursos de pós-produção do Projac.

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