Noruegueses de 'Lilyhammer' arranjam confusão no Rio em nova temporada

Noruegueses de 'Lilyhammer' arranjam confusão no Rio em nova temporada

Personagem da série se apaixona por brasileira de favela que conhece pela internet e acaba preso com drogas

João Fernando, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2014 | 16h00

 “Estou suando bastante. Saí de Oslo com 5ºC e aqui faz 29ºC”, desabafa o norueguês Steinar Sagen. O ator faz parte do time de nórdicos que veio ao País em março para gravar cenas da terceira temporada de Lilyhammer, série do Netflix cujos oito episódios estarão disponíveis a partir de 21 de novembro. 

Na nova fase, Roar, personagem de Steinar, conhece uma brasileira pela internet e vai ao Rio, onde se mete em confusão e vai preso. “As coisas ficam complicadas no Rio. Tudo o que pode dar errado dá errado”, conta. Ao saber da situação de seu funcionário, o mafioso Frank Tagliano (Steven van Zandt) leva sua trupe para Brasil para tentar resolver tudo com sua maneira ilícita de negociar.


A trama gira em torno de Frank, um bandido que negocia com o FBI informações sobre um chefão da máfia de Nova York em troca de uma nova identidade. Fã dos jogos de inverno de 1994, sediados em Lillehammer, ele parte para a Noruega, onde se apresenta como Giovanni Henriksen. Com hábitos do submundo, ele começa uma nova vida, porém, age como um típico capo e resolve os problemas na base de ameaça e subornos, em oposição ao modus operandi dos noruegueses, organizados e seguidores ferrenhos da lei. 

Além de atuar, Steven van Zandt também é roteirista e produtor executivo da série, o que pesou na escolha em gravar no Brasil. “Vim aqui no ano passado para tocar no Rock in Rio e tivemos a ideia. Cogitamos Cuba, mas gravar lá virou um problema. Olhamos o mapa e vimos que aqui estava no topo da lista. Temos bons produtores, equipe e atores aqui. E queria dar um jeito de voltar”, confessa o artista, que também toca guitarra na banda de Bruce Springsteen. O cantor, aliás, faz uma participação na temporada.

Acostumado com a ilegalidade, Frank tenta subornar um diplomata brasileiro, vivido por Eduardo Semerjian (o César de O Negócio) para tentar tirar Roar da cadeia. Entre os problemas do capanga está um envolvimento com cocaína, que reforça um dos estereótipos do País. “Temos cenas na prisão local e há 50 pessoas em uma cela, é como um inferno na terra. Fizemos uma cena também um presídio novo na Noruega, em que cada um tem sua cela e com televisão”, compara Steinar.

Cenas foram rodadas na favela do Vidigal. “É interessante como constroem no alto e uma casa em cima da outra. É aconchegante e os noruegueses gostam disso”, avalia Steinar, que chegou preocupado ao País. “Você ouve que não pode andar com o celular, pois vão te roubar. Não é assim, as pessoas são gentis.”

Lilyhammer brinca com os clichês da Noruega, onde a série se tornou popular por também ser transmitida na TV, com boa audiência. “A série toca nos problemas de nossa sociedade, como o serviço social, que irrita muito as pessoas. Criamos cenas com situações bem norueguesas e mudamos um pouco. Quanto mais local é, mais internacional fica. Talvez os noruegueses entendam melhor o aspecto cômico”, justifica Trond Fausa, que encarna o atrapalhado Torgeir, irmão de Roar e braço direito de Frank.

Frequentador da Noruega desde os anos 1980, Steven conversava há dez anos com o ministério da Cultura de lá para promover o local. “Eles gastam US$ 20 milhões por ano e ninguém consegue citar um produto ou celebridade norueguesa. Só (o dramaturgo Henrik) Ibsen. E já tem tempo”, disse ao Estado.

James Gandolfini tinha papel na série antes de morrer

Por ter vivido o mafioso Silvio por oito anos em Família Soprano, da HBO, Steven van Zandt teve receio de encarar papel semelhante em Lilyhammer

“Frank pode ser parecido fisicamente com o Silvio, mas tem outro comportamento. Acho que estou em dois momentos-chave dessa era de ouro da TV com os Sopranos e agora com os serviços sob demanda”, avalia. 

Amigo de longa data de James Gandolfini, protagonista da série norte-americana, morto no ano passado, Steven havia escrito uma cena para o colega na produção norueguesa. “As gravações foram adiadas e ele morreu pouco tempo depois. Sinto a presença dele o tempo todo, pois isso aqui é muito parecido.

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