Noah Galvin, de ‘The Real O’Neals’, é a bola da vez dos seriados

Rapaz de 21 anos é o protagonista da série que põe em foco uma família, com seus segredos e sua revelações

Ian Spelling, THE NEW YORK TIMES

25 de abril de 2016 | 04h00

Talvez você já conheça Noah Galvin e não saiba. Aquele rosto que nunca viu antes, o que parece encará-lo em todo outdoor, táxi, ônibus e prédio nos EUA, anunciando a sitcom da ABC The Real O’Neals, pertence ao rapaz de 21 anos que é o protagonista do tal seriado.

“É uma experiência estranha o lance da promoção, da publicidade, de estar em todo lugar, mas eu sabia que ia acontecer, principalmente por causa da natureza do programa. Mas, sério mesmo, não dá para se preparar para uma coisa dessas”, confessa Galvin, por telefone, de Manhattan.

“Estou curtindo muito, se bem que, às vezes, dá um bode. A primeira vez que tive que pegar pesado na promoção e no contato com a imprensa foi meio sufocante, mas depois você entende que aquilo vai se repetir muitas vezes. O negócio então é achar um jeito de relaxar, curtir e ser você mesmo.”

E ser autêntico foi um fator decisivo na escolha do ator para o papel central em The Real O’Neals. A série, sem previsão de estreia no Brasil, traz Galvin como Kenny O’Neal, adolescente que revela sua homossexualidade à família católica, que inclui a mãe, Eileen (Plimpton), o pai, o policial Pat (Jay R. Ferguson), o irmão mais velho, Jimmy (Matthew Shively) e a irmã caçula, a esquisita Shannon (Bebe Wood).

Como o personagem, Galvin também é gay, mas garante nunca ter sofrido nenhuma pressão para não ser o que não é. Nascido e criado em Katonah, Nova York, ele afirmou sua homossexualidade aos 14 anos, quando a mãe questionou sua sexualidade.

Todd Holland, produtor de The Real O’Neals, estava à procura de um jovem ator que fosse mesmo homossexual, perfeitamente seguro de sua situação e capaz de lidar com a curiosidade e os comentários maldosos de que, certamente, seria alvo. “Achei perfeito. Era tudo o que eu esperava. Mandei um e-mail para a equipe, dizendo, ‘Essa é minha’. O primeiro teste foi em vídeo. Semanas depois, me pediram para ir a Los Angeles e repetir a avaliação para produtores executivos e diretores de elenco.”

Após algumas semanas, Galvin recebeu um telefonema de seu empresário. “Ele começou: ‘O que você disse mesmo outro dia, quando recebeu a proposta?’, ‘Disse que era minha’. ‘Pois é, e é mesmo’.” Só mais tarde é que Galvin ficou sabendo que Holland fazia questão de um ator gay para o papel.

“Era essencial que escolhessem alguém que realmente compreendesse o dilema que a pessoa LGBT, ou qualquer um que tenha que, de certa forma, se revelar, tem que enfrentar. Tinha que ser alguém que tivesse passado pela mesma experiência.”

Kenny O’Neal é o filho do meio, o queridinho da mamãe. Obediente e charmoso, é tão inteligente quanto a irmã mais nova e tão ingênuo como o mais velho, mas sem as qualidades manipuladoras dela e a estupidez irremediável dele.

A revelação vem no primeiro episódio, mas o jovem não é, em absoluto, o único membro da família a contar um segredo: Eileen e Pat anunciam que vão se divorciar e Jimmy confessa que é anoréxico. “Como qualquer pessoa que passa por uma experiência reveladora, depois de contar seu segredo, Kenny se permite descobrir quem é e como se relaciona com os outros nessa liberdade recém-descoberta, como seus relacionamentos mudam, como deve se vestir, se mostrar para o mundo. Na série, exploramos bem a dinâmica entre mãe e filho porque os dois têm que se redescobrir e redefinir o relacionamento depois que os segredos vêm à tona. Todo mundo na família tem um esqueleto no armário e vamos explorar isso também.”

Vários grupos conservadores começaram a protestar contra a sitcom, assim que a ABC anunciou a novidade. Galvin diz que quer apenas que o público dê uma chance à série. “Se lhe der uma chance, vai ver que é fácil se identificar com a trama; além do mais, ela não menospreza nem critica as opiniões ou a religião de ninguém. É simplesmente a história de uma família.”

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