Maurício Fidalgo/TV Globo/Divulgação
Maurício Fidalgo/TV Globo/Divulgação

Roberto Carlos vence TOC e quebra tabu no seu especial de fim de ano

No programa da Globo, o Rei canta ‘Quero que Vá Tudo Pro Inferno’ após 30 anos

Julia Maria, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2016 | 03h00

Um especial no qual Roberto Carlos preferiu voltar a procurar a consistência artística. Essa é uma das leituras que pode ser feita sobre o tradicional programa de fim de ano do artista contratado pela Globo. Seu especial, gravado no Projac, Rio, no dia 6 de novembro, teve como convidados especiais Marisa Monte, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Zeca Pagodinho. Mais pop, a novidade musical ficou com uma canção pop que ele interpreta com Jennifer Lopez chamada Chegaste.

Em vez de ter a seu lado nomes do funk ou da música sertaneja, como faz costumeiramente, Roberto recebeu Gilberto Gil e Caetano Veloso, que cantaram juntos duas músicas: Coração Vagabundo e Marina. Foi um momento musicalmente bonito e politicamente curioso. Era o primeiro encontro público desde que Roberto e Caetano se desentenderam quanto aos rumos do grupo Procure Saber depois da briga pelas biografias não autorizadas assumida pela organização. Ali no palco, no entanto, nada interferiu na entrega dos artistas. Gil, em tratamento de uma insuficiência renal, tinha a voz mais fraca, quase trêmula.

Marisa Monte apareceu de branco para cantar duas músicas: uma bela versão para De Que Vale Tudo Isso, a melhor da noite, do repertório de Roberto; e sua, mais previsível, Ainda Bem, em dueto com o cantor. “Nunca pensei que um dia alguém cantaria essa música assim”, disse Roberto extasiado, enquanto Marisa cantava a primeira canção.

Outra marca do especial é a interpretação de Quero Que Vá Tudo Pro Inferno, que ele não cantava em público havia mais de 30 anos. O artista deixou de mostrar essa música desde que passou a evitar falar algumas palavras que seu TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) não permitia. Era como se algo de ruim em sua vida fosse acontecer assim que ele pronunciasse esses “termos proibidos”. Não foi fácil, mas saiu. “Nem eu mesmo sei há quantos anos não canto essa canção”, contou, antes de iniciar. “Os amigos sempre insistiam para eu cantar. Aí comecei a tratar do meu Transtorno Obsessivo Compulsivo e cantei a frase pela metade. Mas, agora, resolvi cantar tudo”.

O dueto com Jennifer Lopez rendeu a música e um clipe gravado nos Estados Unidos, que será mostrado no especial. O pior momento, que parecia constranger o próprio cantor no dia da gravação, foi um dueto que ele fez consigo mesmo. Entre um diálogo e outro com Robertinho Carlinhos, que usa roupas e peruca preta, Roberto canta músicas como Mexerico da Candinha, Namoradinha de Um Amigo Meu e Eu Sou Terrível.

'Os programas são vitais para o Rei' - Amilton Pinheiro 

O primeiro especial de fim de ano de Roberto Carlos de que o maestro e produtor musical Eduardo Lages participou foi em 1977. “Vou completar 40 anos que trabalho com ele. Roberto passa o ano inteiro pensando nesse especial. Pode ter certeza que ele já está planejando como será o do próximo ano”, falou por telefone ao Estado o maestro. 

O programa em comemoração ao Natal feito pelo cantor começou na TV Globo em 1974 e logo entraria no calendário das festas natalinas ao longo desses mais de 40 anos (a única vez que não houve o especial foi em 1999, por causa da morte de sua mulher, Maria Rita, em novembro daquele ano).

Mesmo sendo um programa da Globo, segundo Lages, Roberto é quem aprova os convidados a cada ano. “Quando Anitta veio ao programa em 2013, pode ter certeza que Roberto gostou, porque o convite partiu dele”, diz o maestro, que antecipa que a participação de Rafa Gomes, revelada no The Voice Kids, no especial que vai ao ar hoje aconteceu por causa de Roberto

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