'No SBT ninguém me via'

Rodrigo Veronese supera tapete puxado no SBT e garante sua 2ª novela na Globo

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2007 | 00h08

Rodrigo Veronese pode sim dizer que a vingança é um prato que se come quente. Logo após ser trocado em uma novelinha B do SBT por Dado Dolabella - veja bem, isso não é nada bom - o ator emplacou seu primeiro papel na Globo. Lucas de Paraíso Tropical, o terror das balzaquianas que viveu um romance com Ana Luísa (Renée de Vielmond), saiu da novela e teve de voltar a pedido do público.A guinada lhe rendeu grana, fama e mais um bom personagem. Veronese estará no núcleo cômico da próxima novela das 7 da Globo, Beleza Pura. Viverá um químico, que morre ao tentar descobrir uma fórmula mágica, mas depois volta à história. Em entrevista ao Estado, o ator revela os segredos de sua virada.Depois de fazer sete novelas (no SBT e Record) o que sente em ser considerado ator revelação de 2007?Parece que só agora fui descoberto, né? Tento entender que para o grande público eu era desconhecido, porque trabalhei em emissoras que, na ocasião, tinham pouco ibope. Eu inverti a gramática da coisa, porque se fosse entender como ator revelação, realmente é meio frustrante. Tenho uma carreira de 17 anos (Veronese tem 37 anos). Não gosto de sentir que ainda tenho de provar minha competência.Qual a diferença de fazer uma novela na Record, no SBT e na Globo?Trabalhei na Record de 1997 a 2000 (antes da nova fase de teledramaturgia), quando a novela dava só 6 pontos de audiência. O que eu sentia na Record, e sinto até hoje no SBT, é que você faz um trabalho, mas ninguém te vê. O termômetro do sucesso é a sua família, seus amigos ... O assédio da imprensa é menor. Não há críticas positivas nem negativas. Já a Globo te transforma em celebridade, que é o grande ponto negativo. Você vira uma pessoa pública.Fez curso de ator?Fui descoberto na balada, comecei a fazer propaganda e passei a ser disputado pelas maiores agências de modelos de São Paulo. Graças a uma das campanhas publicitárias fui parar na oficina de atores da Globo: um curso de seis meses, do qual saí um pouco antes, para ser contratado pela Record. Tirando isso, nunca fiz curso, mas não sinto falta. Sou preguiçoso.Como você se prepara para seus personagens?Gosto do dom da observação. Meu forte é a "antropologia visual". Vejo muito filme e TV.Por que demorou para ser reconhecido?Porque demorei para ir para a Globo. Nas vezes em que a Globo me chamou, eu estava contratado em São Paulo. Recusei dois convites lá. Quando fazia novela na Record, fui convidado para Laços de Família, para o papel do protagonista Edu (que lançou Reynaldo Gianecchini). Mas tem um lance muito doido. Lembro de ter uns 25 anos e as pessoas me perguntarem: "E a Globo?". E eu respondia: "Vou estrear na Globo com 37 anos, numa novela do Gilberto Braga". Isso se profetizou. Acho que atores que explodem com fama mais tarde têm uma carreira mais estabilizada, porque têm maturidade. Comecei a fazer novela com 27 anos. O Marcelo Antony estourou na Globo com trinta e poucos anos, o Wagner Moura está estourando agora.Assim é mais fácil administrar essa loucura do assédio sem pirar.

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