No E.R. vale até injeção na testa

Bem, a esperança se acabou: não há a menor chance de, um dia, vir a ser atendido pelas estupendas doutoras Neela (Parminder Nagra) e Abby (Maura Tierney), ou de ganhar a massagem famosa da enfermeira Sam Taggart (Linda Cardellini): E.R - Emergency Room, chegou ao fim nos Estados Unidos - e acaba por aqui também, provavelmente até julho. Vá lá, as meninas devem lamentar o fim dos sonhos secretos com o dr. Luka Kovac (Goran Visnjic). O episódio final foi ao ar quinta-feira. Bateu recorde de audiência, afastando o fantasma da perda de público que levou o seriado médico para a 48ª posição no ranking dos preferidos do público americano. E, querem saber? Já vai tarde. A produção da Warner andava chatona, com jeitão de novela. Perdeu o relativo rigor na prática médica que exibia nas primeiras temporadas. Permitiu que seus cirurgiões cantassem as estagiárias enquanto executavam procedimentos de alto risco e complexidade. Mandou para dentro das salas de pronto atendimento personagens de cara exposta e sem luvas. A trama, eletrizante quando era escrita pelo patrão da série, Michael Parque dos Dinossauros Chrichton, morto em 2008, virou geléia de chuchu, mais preocupada com a vida pessoal, trivial, dos personagens. A fonte secou. Todavia, E.R. é uma referência. Acumula dados e números: mandou George Clooney para o estrelato, teve participações especiais do primeiro time, como Susan Sarandon e o Forest Whitaker; brilhou com o episódio dirigido por Quentin Tarantino, recebeu outros 48 diretores desde 1994 e totaliza 331 filmetes de 45 minutos, exibidos em 18 países tão diferentes quanto o Zimbabue e a Suécia. Muitos leitores-assinantes andam com a bronca em alta: os canais não conseguem ajustar o diabo das legendas. A situação esteve crítica essa semana no AXN, no Universal e no Sony.

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