Apple TV+
Apple TV+

No Dia da Terra, Apple TV+ traz programação especial

'The Year Earth Changed' mostra os efeitos da quarentena mundial para o mundo natural e 'Earth at Night in Color' explora os hábitos noturnos dos animais

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão

22 de abril de 2021 | 05h00

Como tantos outros produtores de séries sobre o mundo natural, Mike Gunton está acostumado a ser paciente. Gunton, diretor criativo da Unidade de História Natural dos estúdios BBC, sabe que uma série do tipo leva de quatro a cinco anos para ser feita. Então, realizar The Year Earth Changed (O Ano Em Que a Terra Mudou, em tradução livre), uma série do Apple TV+ que faz parte das comemorações do Dia da Terra, sobre o impacto da quarentena mundial enquanto a pandemia estava acontecendo neste último ano, foi algo para lá de incomum. “Foi o projeto mais rápido que fiz”, disse ele em entrevista ao Estadão. “E não podíamos viajar para lugar nenhum. Tivemos de fazer tudo remotamente, confiando em colaboradores locais, porque a ideia era ser uma história global.” 

Foram muitas horas ao telefone, falando com gente em fusos horários completamente diferentes. Mas deu certo. The Year Earth Changed, que é narrado por David Attenborough, deixa bem claro como a natureza reagiu quando o homem se ausentou, ainda que por pouco tempo. Moradores da cidade indiana de Jalandhar, por exemplo, puderam enxergar os Himalaias pela primeira vez em 30 anos. Pinguins caminharam pelas ruas, e um leopardo tomou conta de um resort deserto. A mensagem do documentário é bem simples. “Nós não podemos desconectar ou separar a humanidade do resto do mundo natural. Somos animais”, disse Gunton. “O engraçado é que a pandemia serviu para muita gente se reconectar, voltar a ouvir o canto dos pássaros, perceber que existe natureza, sim, mesmo nas grandes cidades”, completou ele. The Year Earth Changed também deixa um recado de esperança de ações pequenas e simples que podem ajudar a salvar o Planeta. “O estrago à Terra foi feito por milhões de decisões individuais. Então pequenas atitudes podem ter um efeito positivo e mudar o rumo das coisas”, completou Gunton.

Outros dois títulos que se juntam à comemoração do Dia da Terra são séries mais tradicionais sobre a natureza. Em Tiny World (Mundo Pequenino, na tradução), que chega à sua segunda temporada, os animais diminutos que se escondem em nossos ecossistemas ganham o destaque merecido. Tiny World escolhe ecossistemas diferentes pelo mundo, como a savana africana, a floresta tropical, o deserto, o recife, para explorar suas menores criaturas. A narração de Paul Rudd, o Homem-Formiga, é uma boa sacada. 

O outro é Earth at Night in Color, que também chega à segunda temporada e usa câmeras hipersensíveis para revelar os hábitos noturnos de animais como a onça, o leão, os cangurus e os elefantes. Normalmente, os animais são filmados com aquelas câmeras de visão noturna, que parecem mais um raio X. Com a nova tecnologia, o que é noite fica tão claro quanto o dia. “No caso de filmes sobre a natureza, sempre estamos procurando novas maneiras de contar histórias”, disse Alex Williamson, produtor de Earth at Night in Color. “Aqui pudemos buscar narrativas noturnas inéditas, pois com a noite é muito difícil de se lidar. Quisemos usar a tecnologia para transformar a noite, para que ela não fosse um mundo tão misterioso e sinistro, mas, sim, um universo mágico e maravilhoso, quase como de um conto de fadas.”

Por isso, a preocupação era menos investigar aspectos biológicos desses bichos e mais apresentá-los como personagens depois que o sol se vai. “As câmeras permitem que olhemos nos olhos desses animais e nos emocionemos”, disse Williamson. “A complexidade foi muito maior do que outros projetos que fiz, mas a ambição, também.”

No caso de Tiny World, os desafios foram outros e, apesar do tamanho dos objetos da série, não foram menores. “Eu achei que ia ser mais fácil. Mas aprendi que, quanto menor o animal, maior o problema”, contou Tom Hugh-Jones. “Encontrar e manter o foco da imagem é bem difícil. E achar os animais é complicado. Às vezes estávamos filmando uma aranha do tamanho de um grão de areia e simplesmente a perdíamos. Provavelmente foi o projeto mais ambicioso que já fiz.” 

Hugh-Jones acredita que as criaturas que mais precisam do nosso amor no momento são justamente insetos e outras criaturinhas. “Elas são a fundação de toda a natureza”, disse ele. “São os heróis anônimos do mundo natural. Mas, como são pequenos, é fácil esquecer que eles estão desaparecendo rapidamente. Então temos muito orgulho de colocá-los num pedestal e dizer que os pequeninos também são importantes.”

Tudo o que sabemos sobre:
Apple TV+Dia da Terra

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.