'No Brasil ainda sou trash'

No comando de um talk-show no Canal Brasil, ele prova que todo mundo tem um lado obscuro

Shaonny Takaiama, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2008 | 22h31

Em um cenário com poltronas de veludo roxo, um caixão ao fundo e caveiras em uma mesa de centro, José Mojica, o Zé do Caixão, deixa celebridades à vontade para contar histórias bizarras de suas vidas. Lobão lembrou que certa vez quase sofreu um ataque epilético invocando o Exu Caveira. E Ronaldo Esper confessou que coleciona máscaras mortuárias e tem fetiche por caixões abertos. Histórias desse naipe podem ser vistas às sextas-feiras, à meia-noite, no talk-show O Estranho Mundo de Zé do Caixão, no Canal Brasil. O seu programa aborda o lado obscuro das pessoas. Para você, todo mundo tem esse lado?Eu acho que sim, porque entrevistei pessoas muito diferentes: Lobão, Supla, Pitty, Bruna Surfistinha, Inri Cristo, Mãe Dinah, Paulo Ricardo, Odair José, Marcelo Rubens Paiva... Eu entro em um campo que ninguém mexe e que eles gostariam de falar. Quando eles começam a me contar suas histórias, eles falam: "Puxa, ninguém nunca me perguntou isso!" Quando você entra nesse lado obscuro, estranho, diferente, todo mundo se comunica e respeita demais. Ninguém tirou sarro. Dos relatos que ouviu, quais o surpreenderam?Muitos falaram sobre Exus, umbanda, mas o Marcelo Rubens Paiva me pegou de surpresa quando falou: "Eu já estive com Saci Pererê, fiz até amizade com ele." E achei isso fantástico! Os caras do Sepultura, o Derek e o André, me contaram que viram espíritos em aldeias de índios. E a Bruna Lombardi disse que a Iemanjá apareceu para ela uma vez. Como foi a sua entrevista com o Inri Cristo?Quando fui entrevistar o Inri eu pensei: "Então eu sou legal, porque se dizem que eu tô com o demônio eu também estou com Jesus Cristo! (risos)". O Inri me contou que assistia aos meus filmes para analisar a parte má. E eu disse: "Mas Jesus, o que eu faço nas fitas é trabalho artístico, é ficção. E passo uma mensagem de paz, para as pessoas fugirem das coisas más, da escuridão". E ele falou: "Sim, eu vi isso nas suas fitas. Você vai comigo para junto do meu Pai. Lá em cima nós vamos trocar idéias." Agora você imagina eu lá em cima trocando idéias com Jesus para ajudar o povo aqui na Terra! (risos).Na entrevista com o Inri aconteceu um episódio sobrenatural, não?Essa do Inri Cristo foi fantástica! Bem na hora em que ele ia dizer que há perdão para o incesto caiu um raio no estúdio e atingiu o transmissor, ficou tudo escuro. Aí eu falei: "Inri, esse é um sinal do seu Pai. Acho que Ele não quer que o incesto tenha perdão". E ele respondeu: "Mojica, o meu Pai está te iluminando. Foi por isso que Ele mandou o raio!" (risos).Há diferença entre o mundo de José Mojica e o de Zé do Caixão? Ah, tem! É uma diferença grande. Eu creio em Deus, o Zé não acredita em nada, só na força da mente dele. Ele não teme a morte. Eu temo porque tenho filhos que dependem de mim.O senhor já foi maldito e hoje é visto como cult. Gosta dessa mudança?Aqui no Brasil ainda há pessoas que me vêem como trash. Mas lá fora, se você falar para um canadense ou um americano que eu sou trash o cara te põe abaixo de zero. Aliás, o cult vem lá de fora. No passado, eu diria que 80% me consideravam trash e maldito. Hoje eu sou cult para a maioria. Antes ser cult do que trash.Como você faz ao fim do programa, quer jogar uma praga para nossos leitores?(Com voz fúnebre). Que os vermes que habitam sua carcaça devorem todo o seu cérebro. E que você caminhe por toda a eternidade sentindo as dores da fornalha do inferno. Isto vai acontecer se você não apoiar a cultura (risos).

Tudo o que sabemos sobre:
zé do caixãojosé mojica marins

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.