Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

'Ninguém vai me sequestrar. Vou deixar os ladrões loucos', diz Val Marchiori

Personagem do reality show 'Mulheres Ricas', da Band, a milionária diz que não é uma 'louca desvairada' e que come 'arroz, feijão, batatinha'

Aline Nunes, Jornal da Tarde

30 de janeiro de 2012 | 09h31

Para as lentes da Band, no reality Mulheres Ricas, ela garante ser a futura Evita Perón brasileira. Ao ver a câmera fotográfica do JT, a loira, de 1,76 m, dona de um apartamento de R$ 14 milhões na região dos Jardins, mantém a personagem Val, se joga nas taças do champanhe Veuve Clicquot e, entre um “hello” e outro, pede à reportagem para que não despreze o espumante. “Hello, quem vem em casa e não toma champanhe não vem em casa.” Por onde passa, Val gosta de reinar, ser “espetaculosa”. 

Porém, quando o fotógrafo, o “bonitão” como ela o apelidou, sai de cena, sua personagem junta-se às grifes Dior e Louboutin que abarrotam o seu guarda-roupa e surge Valdirene Marchiori, de 37 anos. Valdirene é mãe dos gêmeos Victor e Eike, de 6, separada do empresário Evaldo Ulinski, de 64, - e estuda um convite para entrar na política.

Aqui, durante as fotos, você demonstrou intimidade com as câmeras. Como começou isso?

Já nasci espetaculosa! Na verdade, a gente morava no sítio (na cidade de São Pedro, no Paraná) e todo concurso de beleza que tinha minha mãe me colocava. Eu era rainha dos estudantes, miss brotinho… Mas assim, eu adorava assistir a Vera Fischer e a Maitê Proença na TV. Eu tirava foto do modelito das atrizes, comprava tecido na cidade e levava para uma costureira do sítio fazer igual para mim.

E lá no sítio, você foi criada com seus irmãos? Quantos?

Sim, com três homens. Mas como somos filhos de agricultores e mulher, na época, não dava continuidade no trabalho braçal, eu não fui a princesinha da casa. Meus irmãos iam para a roça ajudar o meu pai, eu não. Meu pai não me dava nada por ser mulher.

É mesmo? Quando foi que você foi buscar uma mudança?

Ah, começou com 8 anos, quando passei a vender Avon. Como eu já estudava, ia à reunião de professores e levava a revista. Às vezes, no domingo, eu também ia para a feira com o meu pai. Depois, mais tarde, fui fazer um curso de modelo em Apucarana (Paraná), na boate Cogumelos. Um curso caaaaaaro! Saímos vendendo todos os botijões das camionetas lá do sítio (risos) para pagarmos. Daí, fui para o curso, meus pais se separaram e comecei a vender máquinas de escrever e calcular.

Modelo e vendedora?

Sim! Nos finais de semana, fazia o curso de modelo, que me ensinou a ter postura, etiqueta. E, na semana, estudava à noite e trabalhava, ganhando meio salário mínimo. Depois, fui mandada embora e fui parar na prefeitura. Dei meus pulos e falei com o prefeito: “Meu pai ajudou o senhor na campanha”. E consegui um emprego. Ele assinou um cartãozinho e comecei a ganhar dinheiro.

Mas que trabalho era esse?

A gente fazia manutenção para todos os órgãos da prefeitura. Com três meses, comprei meu carro, aluguei minha casa e continuei nos desfiles. Daí, fiz uma campanha da cerveja Budweiser e viajei para Buenos Aires, Paris, e ganhei um bom dinheiro. Daí, conheci um italiano rico e, em 1997, com o dinheiro das campanhas, fundei a Valmar Transportes com os meus irmãos. Começamos a transportar para o Mercosul, que foi o nosso grito de independência. Eu quem fechava os contratos.

Então você sabe de economia? A imagem no reality é outra…

Parece que a gente é fútil, né? Sou muito mais que aquilo. Lutei para ter as coisas. Meu primeiro Versace comprei aos 17 anos e parcelei em seis pagamentos. Eu ralei! Não engravidei aos 17 de ninguém rico. Não dei golpe.

No reality, também não mostra o seu lado mãe. Você se preocupa com a segurança dos gêmeos?

Então, como sou mãezona e acho os meus filhos lindos, até gravei algumas cenas com eles. Mas, infelizmente, o pai resolveu tirar por segurança. Nunca fui neurótica com isso. Já sofri um assalto na Avenida Brasil, levaram meu Rolex, mas sempre fui espetaculosa, de andar com joias. Assim, como mãe, me preocupo. Eu mesma ninguém vai sequestrar. Em dois minutos, vou deixar os ladrões loucos com tanto “hello”. Não vai ter champanhe…

Ah, eles podem oferecer cerveja…

Hello, eu não tomava cerveja nem quando eu era pobre! Deus que me perdoe, me dá dor de cabeça.

Como começou a champanhe?

Começou na Itália com o tal italiano lindo, o Vicenzo, a grande paixão que eu tive. Ele era lindo, alto, falava dez idiomas… Tudo o que uma mulher pode querer (risos). Ele me mandava passagem, de primeira classe, ia me buscar de limusine no aeroporto e já tinha champanhe no carro. No sítio, minha filha, era café, leite e pão. E o cara vinha com tacinha de champanhe no café. Eu falava: ‘Mas Enzo, já no café?’ Ele falava: ‘Mas é normal, Val’.

E o ‘hello’? Como surgiu?

O hello, como sou muito chique, foi em Paris (risos). Estava com a Estelinha (Sartori) numa loja da Chanel, lotada de japonesas, levando tudo. Aí, como ninguém nos atendia, falei: “Hello, a gente quer comprar!”. Daí, pegou. A gente ia para o restaurante e demoravam para nos atender. “Hello!” (Val estala os dedos).

Por falar em compras, você não teme que a sua fonte seque?

Não. Até porque tenho filhos e penso no futuro. Sei que eles têm um pai rico, mas quando engravidei, pensei: “Quero ter condições de dar tudo para eles, independentemente de pai”. Graças a Deus, engravidei aos 30 anos já rica. Eu já morava nos Jardins e já tinha minhas BMW. E não sou uma louca desvairada que sai comprando todo dia. Fico em casa, almoço com meus filhos, como arroz, feijão, batatinha. Mas, claro, gosto de gastar.

Qual foi a maior extravagância financeira que você já cometeu?

Ah, eu tava no Gero (restaurante), no Iguatemi, com umas amigas, e começamos a tomar champanhe. Daí nos empolgamos. Passamos na Avenida Europa e tinha uma Cayenne branca. Comecei: “Geeeente, preciso trocar meu carro”. Acredita que comprei? Dei a minha Cayenne lá e mais uns R$ 200 mil. No outro dia, desço na garagem e penso: “Nossa, fiz isso?”.

É verdade que você também foi convidada para a política?

Sim! Tem um partido de um amigo meu que me ligou, perguntando se eu não queria ser candidata a deputada. Hello, que deputada? Quero ser senadora (risos). Não tenho esse foco, mas quem sabe?

E o que você faria?

Lá em Buenos Aires, eu disse: “Yo no tengo um Perón, mas eu soy uma ‘peroa’!”. Mas, sério, eu faria creches, arrumaria o transporte e colocaria champanhe nos aviões, acabaria com as cervejas.

Para encerrar, e o coração?

O coraçãozinho está bem, amando meus dois filhotes. Mas quem sabe não aparece um príncipe, né? Nada de sapo (risos).

E o que você tem achado dos boatos que apontam você apenas como namorada do Evaldo Ulinski (ex-marido), que já era casado? 

Nosso processo está em segredo de Justiça. Em relação às declarações dele (recentemente, ele disse ao portal IG que a relação com Val era “estritamente sexual”), só mostra o desespero dele com a nossa separação.

Mas vai processá-lo por tê-la chamado de garota de programa?

Com certeza! Até porque uma das minhas empresas foi vendida para ele, quando eu engravidei. Devido a ele não querer mais que eu trabalhasse… E chega. Não quero mais tocar nesse assunto.

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