Ninguém pensa em mudar de canal?

O governo federal e os fabricantes de TV precisam firmar um acordo urgente para ensinar a população a usar controles remotos. Pelo visto, o uso do equipamento ainda é um enigma para muitos brasileiros. Só pode ser essa a explicação para que tanta gente tenha recorrido ao Ministério Público e reclamado do excesso de bebidas alcoólicas e de vulgaridade em um dos primeiros episódios de Big Brother Brasil 8.Caso não tenha sido uma armação orquestrada para atrair o público fugitivo - leio que a audiência tem sido bem inferior a outros anos -, o fato de tanta gente reclamar do programa prova uma coisa: existe um ditadorzinho dentro de cada um. De nada adiantaram as lutas pela volta da democracia, nos anos 70 e 80. Quando se sente ofendido por um programa, o Tirano ressurge e inicia uma campanha para tirar o tal evento do ar.Acontece que o tal tirano está sentado confortavelmente ao lado de um espírito subserviente, daqueles que dizem sim para tudo e não conseguem decidir se querem água com gás ou sem. Vamos chamá-lo de Frouxinho. Irmão do Tirano, ou muito íntimo, o frouxinho aceita qualquer bobagem que o programador da TV coloque no ar. Ele não questiona, não rejeita. Prefere se aliar ao tirano e pedir que a tal bobagem saia do ar.Frouxinho e Tirano devem desconhecer a tecla do controle remoto que muda os canais. E nem se fala naquela outra tecla, colorida, que desliga o aparelho. Até onde eu sei, ninguém é obrigado a assistir Mais Você, Caminhos do Coração, Superpop ou Programa Raul Gil. Ninguém precisa nem mesmo seguir a estapafúrdia inauguração do restaurante na favela de Duas Caras. E, principalmente, ninguém é forçado a se ofender com as baixarias de Big Brother Brasil. Basta mudar de canal, alugar um DVD ou botar as crianças na cama. Os leitores podem me considerar um marciano, mas até hoje, de sete edições do BBB, devo ter visto um total de 20 minutos do programa. O formato do show não me atrai e, sinceramente, estou pouco me lixando para o que pensam - se é que o fazem - meia dúzia de siliconadas e bombados, tão desinteressantes quanto um rodízio de chuchu. Tranquem-se e sejam felizes, mas não achem que sou obrigado a assisti-los. Quem quiser, fique à vontade. O País é livre.

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