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Netflix aposta em ‘dramédia’ com ‘Tal Pai, Tal Filha’

Dirigido por Lauren Miller, mulher do ator Seth Rogen, filme aborda a segunda chance de uma relação familiar

Mariane Morisawa, O Estado de S. Paulo

03 Agosto 2018 | 22h22

LOS ANGELES - A história de Lauren Miller Rogen é comum para muitas mulheres na indústria do cinema: durante a faculdade, além de ter de aguentar o Clube do Bolinha (literal, no caso, já que seus colegas de turma tinham um grupo só de homens), faltavam os exemplos de mais mulheres diretoras, o que a desencorajou a batalhar de cara por uma vaga atrás das câmeras. Mas, depois de escrever o roteiro de Tal Pai, Tal Filha, já no ar pela Netflix, acabou tomando coragem. Só que foi difícil alguém bancar seu nome, por mais que ela tivesse escrito roteiros e participado na criação dos filmes do seu marido, o ator Seth Rogen. Só a plataforma de streaming topou. “A Netflix gosta de se arriscar porque o mundo inteiro é seu público. Eles querem fornecer conteúdo para todos”, disse Lauren em entrevista ao Estado em Los Angeles. “E estão cada vez mais abertos a apoiar novas vozes. Tínhamos um bom roteiro, e ninguém queria me dar uma chance de dirigir, mas a Netflix, sim. E isso é incrível.” Rogen, que faz um pequeno papel no longa, opinou: “Nossa produtora já fez filmes de diretores e diretoras estreantes, e é muito mais difícil para uma diretora”.

Miller Rogen tem razão: Tal Pai, Tal Filha é daqueles filmes que raramente se vê no cinema atualmente. Obcecada por trabalho, Rachel (Kristen Bell, da série The Good Place) é abandonada no altar pelo noivo. Para complicar, seu pai, Harry (Kelsey Grammer, personagem-título da série Frasier), reaparece na cerimônia após tê-la abandonado quando ela tinha 5 anos de idade. Mesmo assim, Rachel acaba topando a ideia de ir com Harry para sua viagem de lua de mel, num cruzeiro pelo Caribe. Os dois encaram, não sem dificuldades, a reaproximação, com ajuda de um bando de estranhos com quem compartilham a mesa de jantar. “Gostei de Harry porque ele é um homem não completamente desenvolvido. E sou atraído por esses papéis hoje em dia. A maior parte dos homens com mais de 50 tem muito a crescer. As mulheres amadurecem e sabem quem são mais cedo.”

Para Lauren Miller Rogen, o projeto era uma chance de mostrar uma mulher cheia de conflitos e emoções, coisa incomum nos filmes. “É uma personagem com um arco-íris de emoções. Tem momentos em que ri, canta, é engraçada, mas também alguns em que está com raiva e realmente sentindo suas emoções”, disse a roteirista e diretora. “As mulheres podem ter um tsunami de emoções. Eu mesma tenho lidado com muita raiva nos últimos anos porque minha mãe tem Alzheimer e acabei infundindo isso na Rachel. Kristen e eu trabalhamos juntas para criar uma mulher que parecesse real.” Ela disse que a recepção feminina foi imediatamente positiva – a masculina, nem tanto. “As mulheres imediatamente embarcaram em sua montanha-russa, enquanto muitas vezes os homens questionavam se ela precisava ficar com tanta raiva. Minha resposta era: ‘Sim, as mulheres ficam com raiva. Tudo bem ver a Kristen Bell brava, ela não tem de ser a princesa Anna (de Frozen – Uma Aventura Congelante) o tempo todo. Ela tem sentimentos, pode chorar e gritar e tudo bem. Porque ela é um ser humano.”

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