ELIZABETH WEINBERG/THE NEW YORK TIMES
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'Negar a idade é tolice', diz a atriz Emma Thompson aos 60 anos

Fazendo sucesso como a polêmica figura da política Vivienne Rook na série ‘Years and Years’, da HBO, atriz reflete sobre o tempo e as artes

Cara Buckley, The New York Times

07 de julho de 2019 | 03h00

Se existe alguém de quem não se esperava uma crise de meia-idade, esse alguém é Emma Thompson. A segurança com que organiza os princípios básicos de sua vida é transmitida a quase todos os personagens que interpretou. 

A gentil aristocrata de Retorno a Howards End; a sofrida governanta de Vestígios do Dia; a jovem de chapeuzinho de Razão e Sensibilidade; a insana professora de Hogwarts; a astuta Nanny McPhee; a sempre insatisfeita criadora de Mary Poppins; a cáustica apresentadora de TV em seu novo filme, Late Night – seus personagens, mesmo quando se desmancham em lágrimas, compartilham com Thompson um férreo sentido de “eu” e de como as coisas deveriam ser. Atualmente, ela tem feito sucesso como a polêmica figura política Vivienne Rook, na série Years and Years, da HBO.

O tempo não fez esmorecer essa inflexível determinação hompsoniana, ou pelo menos parecia que não. Neste ano, após saber que John Lasseter, que perdeu o emprego na Pixar and Disney por assédio, foi nomeado chefe do estúdio que produzia um filme no qual ela trabalhava, Thompson demitiu-se publicamente e fustigou o estúdio e Lasseter numa corrosiva carta aberta. Poucos meses antes, ela compareceu usando tênis à cerimônia na qual recebeu o título de dama, conduzida pelo príncipe Charles. Ante o espanto da imprensa britânica, Thompson se defendeu dizendo que os tênis eram criação da estilista Stella McCartney, e muito sofisticados. 

Por isso, causou surpresa que Thompson tenha se sentido subitamente insegura ao completar 60 anos, em abril. Não que tenha reclamado da mudança de idade, mas reagiu meio entediada à sugestão de que “60 são os novos 40”. E cortou: “Não é saudável negar a idade, é tolice.” 

No entanto, ela se viu inundada pelas próprias dúvidas sobre o que é ser filha, mãe, esposa. “Muitos desses papéis na verdade são impostos a você pela sociedade durante anos e anos até que, de repente, você se pergunta: ‘Sou mesmo tudo isso? Se não sou, então quem sou eu?’” “A eterna questão, à qual eu nunca pensei ter de responder, é ‘quem sou eu’. Mas, como está se tornando claro, não tenho a menor ideia.”

Thompson deu esta entrevista entre sua primeira viagem a Las Vegas, “muito maior” do que imaginara, e sua participação num protesto ambiental em Londres do grupo Extinction Rebellion, no qual foi filmada falando no microfone em um barco cor-de-rosa rodeado pela polícia. 

Ela foi a Las Vegas promover dois novos filmes numa convenção de proprietários de cinema: Late Night, escrito para ela por Mindy Kaling, e Last Christmas, que ela própria escreveu com o artista inglês Bryony Kimmings, livremente inspirado na canção do mesmo nome interpretada pelo grupo Wham!, nos anos 1980.

Em Las Vegas, teve uma folga de 11 horas entre as duas apresentações, período em que jogou, cochilou, comeu e bebeu. No fim do dia, parecia que estava lá havia 50 anos e se perguntou se era assim que todo mundo se sentia em Las Vegas. Sentiu a necessidade de ir embora antes que sufocasse e morresse. 

Os Manifestantes do Extinction Rebellion, ao contrário, deixaram-na emocionada, tanto que fez um curta-metragem em apoio ao grupo. Thompson é ambientalista de longa data e tenta se manter otimista por ter lido que os otimistas vivem mais. No entanto, como tantos defensores do ambiente, ela luta para não de desesperar. “Como você sabe, estamos numa corrida entre a conscientização e a catástrofe “, disse.

Americanos tendem a ver Thompson como veem outras damas do mundo artístico – Judi Dench, Helen Mirren, Maggie Smith – como uma adorável Mary Poppins descomplicada, que gosta de falar diretamente com as pessoas. Mas, na Inglaterra, a língua solta de Thompson e seu ambientalismo já a puseram na mira do ultrajado complexo industrial britânico. E ela exultou quando um furibundo fazendeiro quase a cobriu de esterco durante um protesto contra a extração de petróleo e gás por fraturamento, em 2016. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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