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Análise: Narrativa de 'O Grande Gonzalez' foge do linear

Série convida espectador a pensar

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2015 | 03h00

A abertura da série já entrega que um mágico morrerá afogado diante do olhar da plateia infantil de uma festa de aniversário. O acontecimento que norteia o enredo assinado por Ian SBF, diretor do Porta dos Fundos e criador do argumento, tem recado imediato. O interrogatório policial também evidencia, de cara, que lá houve um crime, não um acidente. E isso é tudo. A maneira como o roteiro se desenvolve, com um vaivém de flashbacks e versões desencontradas – algumas delas, prontas para denunciar contradições de um mesmo depoente –, é um convite para o espectador pensar.

Dona de uma narrativa não linear, O Grande Gonzalez confundiu até o próprio elenco, que só entendeu o quebra-cabeças proposto pelo diretor no momento em que viu pela primeira vez um episódio montado para ir ao ar. O recurso do “quem matou?” passa longe do didatismo que guia situações semelhantes em novelas. Esqueça fumacinha, legenda ou qualquer outro efeito especial que avise a plateia quando os ágeis cortes da edição saltam da cena presente para a memória dos depoentes. Mesmo assim, e aí está a genialidade apontada no diretor, a trama se faz entender. E promove uma leitura capaz de fazer a gente rir de uma tragédia.

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