Netflix/Divulgação
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'Narcos: México' encerra a franquia na hora certa

Série da Netflix tem uma das maiores virtudes de uma série: saber a hora de parar

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2021 | 03h00

Uma das maiores virtudes de uma série é saber a hora de parar. A 3ª temporada de Narcos: México, da Netflix (ou 6ª, na contagem geral, que começou na Colômbia) marca o fim da franquia, que projetou Wagner Moura no mercado internacional como Pablo Escobar. Ainda havia muita história a ser contada, mas a Netflix percebeu que a fórmula atingiu seu limite. Quem conduz a narrativa agora é a repórter de um jornal independente mexicano que cobre o crime organizado. Com o colapso do condomínio de famílias do narcotráfico criado por Félix Gallardo, os cartéis voltaram a atuar de forma independente, o que desencadeou uma previsível guerra. Os primeiros capítulos são um pouco arrastados, mas siga em frente porque a trama logo ganha o ritmo de sempre.

Entre Marighella e o cartel

Na crista da onda no Brasil depois de lançar o longa Marighella, Wagner Moura, que interpretou Pablo Escobar em Narcos, dirige dois episódios – o 3° e o 4° – da 3ª temporada de Narcos: México. Como o lançamento do filme coincidiu com o da série, o ator e diretor ganhou uma avenida na imprensa nacional e internacional para criticar o presidente Jair Bolsonaro, seu alvo preferido nas entrevistas.

El Chapo, presente

Mais poderoso chefão do narcotráfico dos últimos tempos, Joaquin “El Chapo” segue sua trajetória empreendedora bem sucedida em Narcos: México e ganha espaço na trama. Ele, que é o mais importante gângster latino-americano desde Pablo Escobar, conta com uma série para chamar de sua, chamada El Chapo, também da Netflix. 

A série, que é dramatizada – apesar de inspirada em fatos reais –, conta a trajetória violenta do traficante desde 1985, quando estava no baixo escalão do Cartel de Guadalajara, até sua ascensão e queda. Por questões de segurança, a série foi gravada na Colômbia, em locações parecidas com o México. 

Tráfico, funk e púlpito

Aos poucos o mundo das séries vai voltando ao seu antigo normal. Após dois anos de espera, a Netflix finalmente lançou a segunda temporada de Sintonia. A primeira impressão é que se trata de uma nova versão de Malhação, a produção teen que fez história na Globo e que era um pastel de vento. Mas Sintonia é muito mais que isso. 

Criada e produzida pela produtora Kondzilla, a série é uma imersão na periferia paulistana sob a ótica de três personagens que simbolizam as quebradas: Rita, que conquista cada vez mais espaço em uma agremiação evangélica; Doni, um cantor de funk que estoura nas paradas; e Nando, que começou vendendo drogas no varejo e desponta na hierarquia da facção que domina o tráfico. 

Apesar das trajetórias diferentes, os três são amigos de infância leais que torcem pelo sucesso uns dos outros. 

Um sujeito qualquer

O ator Bob Odenkirk, que ficou famoso na pele do advogado picareta Saul Goodman em Breaking Bad, é a peça de resistência do ótimo filme de ação Nobody – ou Anônimo, na tradução escolhida em português. O longa está disponível no Now. 

Bob interpreta Hutch, um sujeito amargurado que se esforça para ter uma vida ordinária e não ser notado, mas que acaba arrastado para uma trama de ação e violência que invoca seu passado misterioso. A fachada de cidadão comum e passivo esconde uma personalidade devastadora. Contar mais seria dar spoiler, mas é possível dizer que o desempenho do ator de Better Call Saul já vale o ingresso. 

A trilha sonora do filme usa clássicos como What a Wonderful World, de Louis Armstrong e You’ll Never Walk Alone. A desconexão entre a música e a violência ao redor é um dos charmes da produção.

 

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