'Napoleão', o clássico maior, está nas lojas

Filme monumental do diretor francês chega aos 80 anos com a força e a invenção da juventude

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2008 | 22h29

A versão restaurada do clássico Napoleão, de Abel Gance, chega agora às lojas e locadoras com quatro horas de duração pelo selo Silver Screen Collection, a mesma versão americana lançada em 1981 com música de Carmine Coppola (1910-1991), pai do cineasta Francis Coppola. É um monumento cinematográfico, que completa 80 anos sem perder a beleza e o ímpeto revolucionário. Não que Gance estivesse muito interessado em endeusar a figura do conquistador, visto até com olhos críticos (assim como a turma da Revolução Francesa). Como o aristocrata Visconti, seu colega francês achava que as pessoas faziam revoluções para que tudo permanecesse em seus devidos lugares - e a Restauração é uma das boas razões para se acreditar em ambos.Era grande a ânsia revolucionária de Gance, que planejou fazer o filme em seis partes (só concluiu a primeira). Nesse prólogo, o espectador acompanha a vida de Napoleão desde as batalhas com bolas de neve nos tempos de colégio interno, em que o garoto já mostra seus dotes de estrategista, até a invasão da Itália, em 1797. Não contente em coreografar a luta das crianças como uma campanha militar, ou fundir a imagem de políticos em revolta com a de um náufrago Napoleão às voltas com uma tempestade real, Gance enlouquece na seqüência final: abusa de todos os truques permitidos pela limitada tecnologia da época (na estréia, três telões projetavam simultaneamente cenas de batalha do futuro imperador da França). Abel Gance foi o que Coppola seria nos anos 1970: um diretor de ambição desmedida. Exato como o estrategista de sua superprodução.

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