Não vai ter pote de ouro no final deste arco-íris

Tenho uma amiga que só vê o último capítulo da novela - e é sempre novela das 9. Desde que o programa se chamava novela das 8, ela fica de um jeito assim, se fazendo de desentendida e, firme, não se rende ao sofá. Lá pelas tantas, se toca: "Oba, hoje tem o último capítulo da novela!", e fica presa em casa na sexta-feira à noite. Em alguns casos, chega ao cúmulo de ver a reprise no sábado, lamentando que descobriu que a novela era boa só quando acabou.

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2009 | 02h06

Mas não é que caia de paraquedas no "felizes para sempre". Durante os oito meses da trama, ela recebe a história por osmose. Vê as capas das revistas, as notícias que saltam nas páginas da internet e, principalmente, colhe muita informação nos comerciais do Jornal Nacional. "Num dia, chamam para o fato incrível de logo mais. No dia seguinte, é a repercussão do fato in-crí-vel de ontem", ensina ela.

É um desafio para os autores escrever sob a mágica característica das novelas de criar suspense, ser novidadeira, ao mesmo tempo em que se repassa o suficiente para que qualquer um possa acompanhar, até mesmo quem não assiste.

Tudo isso para falar de Três Irmãs. Não vou mentir que sou das mais assíduas, mas também não chego ao ponto de me guardar para o último capítulo. No último mês, venho tentando em vão entender o que se passa ali. Pra começar, qual é a vilania principal da trama - ou seja, a trama? Já vi que Xande (Dudu Azevedo), que mancava e se curou, virou vilão, sequestrou a Suzana (Carolina Dieckmann) e quer se casar com ela à força. Está bem, mas por que ela não fugiu, não se rebelou, não gritou (gente, é uma cidade pequena!)? Descobri depois que é porque ele ameaçava a mãe e as irmãs dela. Hum... Então, tá. O sequestro demorou mas, de repente, a farsa foi resolvida na igreja, na hora "do quem for contra...". Touché?

A trama das 7 tem clima de ópera bufa, que está na atuação exagerada de vários atores (mal se vê o Bruno Garcia que arrasou em Queridos Amigos) e na solução pouco lógica dos dois tons acima da fantasia aceitável da boa novela. De melhor, tem os nomes dos personagens - Gilda Sueli é demais - e aquele vento engraçado que sopra no cabelo da Giovanna Antonelli quando a Alma põe em prática seus superpoderes, tipo Poderosa Isis.

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