HBO/Divulgação
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'Não ter agenda política tornou 'Looking' política'

Para ator, a série, que agora inicia a segunda temporada, conseguiu se livrar do rótulo de ser a versão gay de ‘Girls’

Entrevista com

Jonathan Groff

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

14 Janeiro 2015 | 14h54

LOS ANGELES - Quando a primeira temporada estreou, Looking foi chamada de versão gay para Girls. Existem semelhanças, mas a série conseguiu se libertar dos rótulos ao longo dos dez episódios, para alívio de um de seus protagonistas, Jonathan Groff, que interpreta Patrick. “Eu amo qualquer tipo de debate, mas ficou melhor quando as pessoas tinham visto todos os capítulos”, disse em entrevista ao Estado em Los Angeles. O segundo ano, exibido pela HBO no Brasil nas madrugadas de domingo para segunda, à 1h, logo depois de Girls e da nova Togetherness, começou com os amigos Patrick (Groff), Agustín (Frankie J. Alvarez) e Dom (Murray Bartlett) passando um fim de semana numa cabine na floresta, onde acontece uma festa épica. A seguir, os principais trechos da entrevista com o ator Jonathan Groff. 

O que mudou na 2ª temporada?

No primeiro episódio da primeira temporada, Patrick pergunta a Dom: por que eu continuo tendo encontros tão ruins? Só que aí ele conseguiu quebrar esse modelo, ter seu primeiro relacionamento de verdade com Richie (Raúl Castillo) e começar este caso maluco e complicado com seu chefe Kevin (Russell Tovey). Alguns meses se passaram, e no primeiro episódio da segunda temporada, ele contou para os amigos sobre Kevin. Quando você conta algo a seus amigos, é que está preparado para lidar com o assunto, ver se é o que realmente quer. A temporada parte daí.

Há menos foco no sexo agora?

Não enxergo a primeira temporada como focada no sexo. Certamente, no primeiro episódio da segunda temporada houve várias cenas de sexo. Mas, como já estabelecemos os personagens, os roteiristas puderam aprofundá-los. Patrick vai ter um relacionamento complicado com Kevin e tentar ser amigo do ex Richie. É uma jornada bastante emocional. 


Houve muita discussão sobre Looking ser menos política do que outras séries com homossexuais. Acha que a série tinha algo de político para dizer?

O surpreendente é que o fato de não ter uma agenda política evidente é que tornou a série política. Porque mostrou o que é ser gay de uma maneira cotidiana, focando mais nos relacionamentos e nas nuances dos personagens. Quando estávamos rodando a primeira temporada, não pensamos em nada político. Mas, conforme assistia à série, percebi coisas como a discussão política sorrateira entre Agustín e Richie, o cubano e o mexicano, que é sutil na escrita e na interpretação, mas é um debate épico para ser iniciado. E também o possivelmente subconsciente racismo de Patrick. 

Você sugere histórias?

Fizemos a leitura do décimo e último episódio desta temporada e não consegui terminar. Fiquei muito emocionado. Porque os diálogos eram falas que eu tinha dito na minha vida. Meu Deus, essa é minha vida! E muita gente disse o mesmo. Há vários diálogos no último episódio que são universais em termos da “experiência gay”. Então era muito pessoal para mim, para todos nós. Muitas vezes nos seriados de TV, a realidade é de mentira. Por exemplo, não havia quatro garotas vivendo em Nova York como em Sex and the City. E Looking não é assim. É uma combinação do que Michael Lannan criou e da contribuição de Andrew Haigh. Queria ver um filme de terror de Haigh, seria aterrorizante de tão real. É sua maneira de trabalhar, de ver o mundo. É desafiador num formato de TV. Foi inteligente colocá-lo em Looking, porque ele quebra parâmetros. Li as críticas dizendo que a série não tem história suficiente e não segue formatos. Mas acho que na HBO é assim, eles não querem seguir o formato. Haigh tenta fazer algo novo.

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