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‘Não tenho medo de pagar mico’

Roberto Justus substitui Silvio Santos às quartas, à frente de game show da Endemol

Alline Dauroiz, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2009 | 16h00

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Roberto Justus, o novo contratado do SBT, diz gostar de correr riscos. Na última quarta-feira, dia da apresentação de seu novo programa a jornalistas, contrariou as recomendações da assessoria de imprensa da emissora e pôs todos os repórteres para brincar no game show 1 X 100. "Falaram: você é louco! Se um botão não funcionar, vão falar que o programa é ruim", revelou o apresentador. "Mas resolvi arriscar. Vocês tinham de sentir que a brincadeira é divertida."

 

Como bom publicitário, a estratégia deu certo. Logo, os colegas jornalistas já estavam empolgados com a simulação do jogo de perguntas.

 

Nesse bate-papo, o apresentador, que além de publicitário e empresário, gosta de cantar e dá palestras sobre negócios, conta como se sente ao deixar O Aprendiz. Revela que não tem medo de comandar um programa tão diferente daquele a que estava acostumado. "Tenho a cara de pau de cantar para 3 mil pessoas. Não vou ter cara de pau para encarar um game show?"

 

O que deu errado na negociação para levar 'O Aprendiz' ao SBT?

A Record tinha a prioridade. Eles podiam renovar automaticamente se o apresentador fosse o mesmo. Mas tinha uma brecha, que era a Fremantle (detentora do formato) não aprovar o novo apresentador. E contávamos com isso.

 

Você torceu para que o João Dória Jr. não fosse aprovado?

Muito (risos).

 

'O Aprendiz' ficou muito marcado por sua imagem. O que achou da contratação dele?

O João era um ótimo candidato. Ele me ligou e falei que o envolvimento é total. Não basta só apresentar. Estou curioso para ver. Tenho uma pontinha de ciúme saudável. Mas o público vai me ter nesse tipo de formato no ano que vem. Falei para o João que vamos competir. Vai ser engraçado.

 

Será um programa nos moldes de 'O Aprendiz'?

Não posso abandonar o que fazia no O Aprendiz. O público se identifica com o personagem de chefão durão. É possível que façamos três programas: um seria o 1 X 100, outro, ligado aos negócios e o outro está indefinido.

 

Tem medo de pagar mico no '1X100'?

Vou mudar minha imagem com o público, vou criar mais carinho com ele. Falavam que sou muito duro, arrogante. Mas o papel exigia isso. E não tenho medo de pagar mico. Sou uma pessoa que tem segurança nas coisas que faço. A opinião dos outros não me impede de arriscar.

 

A Record não gostou nada da sua saída.Como ficou sua relação com os executivos de lá?

Claro que num primeiro momento houve uma mágoa. Não vou dizer que não tinha status de estrela da casa. Era muito bem tratado. Mas meu contrato não refletia a importância que eu tinha lá, era contrato por obra. Deveriam pensar "vamos amarrar esse cara", como fazem com outros artistas. Aí, quando o Silvio Santos me chamou para conversar, a Record disse queria fazer um contrato. Sorry, too late.

 

Você tem dado consultoria empresarial ao Silvio Santos?

A vinda do Paulo Franco (ex-diretor de programação da Record) para o SBT foi estimulada por mim. Eu converso com a Daniela Beyruti (diretora artística da emissora e filha de Silvio Santos) e já conversei com o Silvio. Mas só quando eles perguntam. Não estou lá para concordar com tudo. Mas se me pedirem, dou conselho, dou minha visão como publicitário.

 

Estar mais perto da cúpula de uma emissora é um pulo para fazer sociedade, não?

Gosto de estar perto sim, porque posso ter um poder de influência positivo. Me perguntam muito isso, mas é uma dor de cabeça danada (ser dono de uma TV). É tão mais gostoso estar aqui com uma produção, camarim, ganhando uma grana boa... É o sonho de toda a pessoa.

 

QUEM QUER SER MILIONÁRIO?

Anunciado como o maior game show do Brasil, 1 X 100, programa semanal que entra no ar às 22h30 desta quarta-feira, é parecido com outros quiz consagrados pelo Homem do Baú, no SBT. Roberto Justus, porém, não gosta de comparações. "Não dá para comparar com o Show do Milhão ou com o Um Contra Todos", diz o empresário. Desta vez, Silvio Santos decidiu não se inspirar em formatos internacionais, mas sim, comprar um já conhecido em 33 países.

 

Produto da Endemol, a mesma que detém os direitos do Big Brother, o programa é co-produzido pela Casablanca, que cedeu um estúdio enorme, onde foi reproduzido fielmente o cenário americano. São 1.000m² de área, 10m de altura, além de 100 painéis eletrônicos, sistema de votação simultânea e muita tecnologia.

 

Na dinâmica, um competidor tem de responder a perguntas de conhecimentos gerais em busca do prêmio máximo, de R$ 1 milhão. A diferença, porém, é que, além de acertar a questão, ele tem de rezar para que os outros 100 competidores errem e deixem o jogo. Entre a multidão de participantes, já há promessas de famosos competindo. Em um papel bem menos arrogante do que em O Aprendiz, Justus agora interpreta o animador, que, no máximo, pressiona o jogador a escolher entre o dinheiro acumulado ou a enfrentar a multidão.

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