'Não sou celebridade'

Ator surpreende na pele do divertido Renato Reis, médico que parece ter saído de um reality show

Keila Jimenez, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2008 | 23h05

Dois minutos bastam para termos a sensação de que conhecemos alguém assim, como Renato Reis. Opa, olha ele ali, no canal ao lado. O cirurgião plástico vivido por Humberto Martins em Beleza Pura, da Globo, é descaradamente inspirado em médicos-celebridades, desses que recheiam reality shows sobre estética espalhados pela TV paga e aberta. Em conversa com o Estado, Humberto Martins fala sobre esse universo de egos e vaidade e de como se livrou do rótulo de "descamisado" buscando personagens como Renato Reis. Seu personagem é inspirado em cirurgiões plásticos "estrelas", como Dr. Rey?É sim. O Renato se endeusa por ter feito plásticas em mulheres famosas, ter ganhado muito dinheiro, é um cara que se cultua. A grande maioria desses cirurgiões famosos é assim. Inclusive em Los Angeles, as personalidades do cinema não são tão famosas quanto os seus cirurgiões (risos). Eles são endeusados por lá, têm reality shows. Já ultrapassaram esse nível de "celebridade". Como é sua relação com esse universo de celebridades?Eu não sou uma celebridade. Celebridade deveria ser um rótulo para pessoas com muitos e muitos trabalhos importantes, seja no cinema, na literatura, no teatro...Vejo por aí nomes de pessoas que a mídia chama de "celebridade", que nunca fizeram trabalho algum, muito menos célebre. Ficou banal. Não me coloco dentro disso. Eu acho engraçado quando vejo os tidos como "famosos" e penso no histórico deles. Que coisa infeliz virou esse rótulo. Tô fora.Como é dar um beijo gay não-gay na novela? (O personagem de Humberto se apaixona por um homem que, na verdade, é uma mulher travestida)Não tem nada de gay nessa história (risos). Mas o público adora me zoar na rua. Falam: "Humbertão, tô te estranhando..." (risos). Acha que ficou rotulado como descamisado (por conta dos vários personagens valentões e sem camisa em tramas de Carlos Lombardi) ?Fiquei sim. Mas percebi a tempo que isso estava acontecendo e me livrei dele. Era algo com prazo de validade.Acho também que o tempo e a idade contribuíram para que aquela imagem se dissolvesse naturalmente. Me sinto seguro para compor outros personagens, que já provaram que esse rótulo não procede.Já te convidaram para ir para Record?Sou, há 20 anos, contratado da Globo, mas já sofri assédio sim da Record. No entanto, não vejo por que sair da Globo, a gente se dá tão bem (risos). Considero esse nosso casamento vitalício (risos).     O que ele diz sobre..:   Personagens diferentes: "Hoje me preocupo mais em fazer tipos diversificados, buscar algo diferente. Tenho um amadurecimento maior para tomar decisões." Preconceito: "Claro que sofri preconceito. Pessoas da produção , até colegas não imaginavam ou simplesmente menosprezavam minha capacidade, só por conta de um rótulo. Mas é assim. Que dou conta já foi mais do que provado." Ele posou nu duas vezes... "Hoje não faria mais isso. Eu estava bem fisicamente e colhi frutos disso, me tornei um símbolo sexual. O posar nu na época tinha a ver. E foi para uma revista interessante, que tentou ser uma Playboy para mulheres. A primeira vez foi no meu veleiro, na segunda, posei de índio. Era época do Brasil 500 anos, resolvi chamar a atenção para a questão do índio. Hoje não tenho mais corpo para isso, estou nos 47 dos segundo tempo (risos)."

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