'Não posso ficar rica e magra?'

Apresentadora do 'Atualíssima' faz piada de quem a critica por ter deixado o 'Pânico'

Gustavo Miller, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2008 | 00h20

Acredite: Rosana Hermann é formada em Física, com mestrado em Física Nuclear. Mas ela deixou os átomos de lado lá nos anos 80 para virar roteirista de TV. E foram vários os programas com sua assinatura. Teve atrações infantis, como X-Tudo e Urbanóides, populares (Faustão e Viva Noite), educativos (Telecurso) e humorísticos - vide o Sai de Baixo.E vem do humor seu filho mais famoso, o Pânico na TV, que ajudou a criar e redigiu por três anos. Mas aí, em março, ela saiu da RedeTV! e foi para a Bandeirantes, ser editora-chefe e apresentadora do Atualíssima. O que teve de gente chiando disso... Qual a sua reação quando dizem que você deixou de lado a criatividade, ao deixar o Pânico para virar apresentadora de um programa sobre celebridades e afins?Gente, como me superestimam! Achavam que eu era o Einstein? Eu sou um profissional de televisão, que já fez vários tipos de entretenimentos. Parece que as pessoas não querem que você fique rica e ganhe dinheiro! Se faço um merchandising sou execrada. Eu emagreci 8 quilos desde que entrei na Band. Que bom, pois se a TV engorda cinco quilos, então eu apareço na televisão três quilos mais magra! As pessoas basicamente querem que eu seja pobre, gorda e infeliz.E como você vê o Pânico hoje, após sua saída?Mudou bastante, está com um lado mais agressivo, popular e até experimental. De repente entraram vários integrantes novos. Você liga a TV e pergunta: "Quem é esse?". É muita gente do teatro, tem umas três, quatro pessoas do grupo Deznecessários.Você elogia muito o CQC em seu blog (http://queridoleitor.zip.net). Como você o compara com o Pânico? Sem defender a Band!(Risos) O CQC tem uma linha muito mais crítica e política do que o Pânico, que faz mais matérias com as gostosas. É uma linha mais de impacto popular. O que eu acho mais legal do CQC é que ele mostrou que existe público para a inteligência. Existe uma máxima que é "bunda dá (audiência), então põe". As pessoas de TV partem do contrário: do que já dá audiência para ir atrás dela.O Atualíssima não é assim também ao pôr matérias com as "mulheres-melancia" da vida?Também fazemos coisas populares em busca de audiência. A gente coloca Tammy Gretchen! Nossa estratégia é dar o que a população já busca e usar dessa atenção para dar coisas que achamos relevantes. Colocamos a mulher dos maiores seios da América Latina, e, colado nisso, entra matérias de saúde, de cultura. Fazemos essa via de mão dupla.Você vem testando em seu blog uma ferramenta que transmite o Atualíssima ao vivo pelo seu celular. É difícil emplacar essas novidades tecnológicas na TV?Estou hiper-empolgada com isso! Qualquer dia quero mostrar no blog o intervalo do programa, com eu e o Leão Lobo conversando. Imagina só? O perfil de quem manda na televisão é de pessoas com mais de 50 anos, que tiveram de aprender a mandar um e-mail! Eu batalhei um ano para colocar no Pânico aquelas telas com as pessoas comentando pelo Skype (programa de telefonia via internet). Diziam que não daria certo, que alguém poderia falar um palavrão... Sempre há o medo de abrir a televisão, pois são 50 anos de "TV fechada", que só emitiu e nunca ouviu.Curiosidade: como é que é revelado em seu blog o Ibope em tempo real dos programas das emissoras abertas? Você tem um aparelho desses em casa?(Risos) Não, tenho amigos em Switcher (sala onde fica o diretor e a equipe técnica de algum programa). Pessoas físicas não podem assinar o Ibope. Tenho um amigo de longa data que trabalha à noite "não-posso-dizer-aonde" e sempre fala para mim as informações a qualquer hora. Vou dar a dica: em geral, quem tem acesso ao Ibope o tempo todo são pessoas cadastradas, como diretores de núcleos. Mas só divulgo a audiência de programas de que gosto, como A Favorita e o CQC.  

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